Linfoma: terapia de combinação é mais eficaz que tratamento tradicional

Pesquisadores descobrem uma maneira de tornar linfoma difuso de células B grandes mais sensível à terapia.

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05 Novembro 2010 | 11h42

O linfoma difuso de células B grandes (LDGCB) é um tipo de linfoma não-Hodgkin agressivo, que representa cerca de 40 % dos casos em adultos. Se não tratado, é fatal. Os tratamentos existentes têm um índice de cura um pouco maior do que 50%, mas destrói as células saudáveis juntamente com as células cancerosas. Agora, no entanto, pesquisadores do Weill Cornell Medical College encontraram uma terapia de combinação que é mais eficaz que os tratamentos tradicionais, e capaz de matar as células cancerosas sem danificar os tecidos circundantes.

Em um artigo publicado no Journal of Clinical Investigation, os pesquisadores relatam que ao enfocar o principal causador de linfoma chamado BCL6 com um inibidor específico chamado RI-BPI, em combinação com um inibidor da histona deacetilase (HDAC) ou com um inibidor da proteína de choque térmico (Hsp90), eles foram capazes de reprimir e em alguns casos, erradicar o LDGCB em camundongos. Os pesquisadores disseram que suas descobertas constituem uma base racional de combinações específicas de terapia para pacientes com a doença.

“Os linfomas não são fáceis de tratar. O tratamento padrão, utilizando anticorpos monoclonais e quimioterapia, não funciona para todos os pacientes e pode causar efeitos colaterais indesejáveis”, diz Ari Melnick, professor adjunto de medicina e diretor do Raymond and Beverly Sackler Center for Biomedical e Physical Sciences na Weill Cornell Medical College

As células B são um tipo de glóbulo branco que produz anticorpos para combater infecções. O BCL6 é um fator regulador mestre que desempenha um papel crítico em manter vivas as células do linfoma. O estudo mostrou que a segmentação da terapêutica com BCL6 ligado a RI-BPI se transformou em outro fator chamado EP300, um interruptor molecular que pode se transformar em proteínas e que pode conter o crescimento de células de linfomas e desativar outras proteínas que ajudam essas células cancerosas.

A equipe mostrou que ligar EP300 aos linfomas os torna muito mais sensíveis aos inibidores de HDAC e Hsp90. Administrar as drogas ao mesmo tempo é como “chutar as duas pernas” das células do câncer, assim elas não podem recuperar o seu equilíbrio. Assim, o efeito combinado das drogas é muito maior do que uma ou outra droga sozinha e tem um efeito antitumoral muito poderoso. Em contraste, células e tecidos normais não são danificados por essa forma de terapia, já que não são dependentes dessas duas “pernas”.

Finalmente, os cientistas também descobriram que EP300 é por vezes transformado em linfomas, que mostra que este gene pode, normalmente, proteger as células B de se tornarem cancerosas. A detecção dessas mutações nos pacientes é importante, pois esses tumores podem não ser sensíveis às RI-BPI.