Teste de sangue prevê declínio cognitivo no Parkinson

Equipe descobriu que um fator de crescimento epidérmico pode funcionar como biomarcador para o prejuízo cognitivo.

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29 Novembro 2010 | 16h32

O ator Michael J. Fox se tornou símbolo da luta contra o Parkinson.

Pesquisadores da Universidade da Pennsylvania, nos EUA, desenvolveram o primeiro teste de sangue para prever o declínio cognitivo em pacientes com mal de Parkinson. Caso os resultados possam ser replicados e padronizados por outros cientistas, o procedimento poderia servir como uma útil ferramenta no desenvolvimento de novos medicamentos para retardar ou prevenir complicações da doença.

A equipe descobriu que um fator de crescimento epidérmico – uma proteína envolvida na regulação do crescimento, proliferação e diferenciação celular – pode funcionar como biomarcador para o prejuízo cognitivo no Parkinson. Pacientes com baixos níveis deste fator e funções cognitivas normais teriam mais chances de desenvolver problemas cognitivos sérios em um prazo de 12 meses após o exame.

“Como um médico especializado em Parkinson, escuto o tempo todo que meus pacientes desejam saber se a doença irá progredir rapidamente, e se eles vão ter o tipo de Parkinson que induz a demência”, diz Alice Chen-Plotkin, professora assistente de neurologia na universidade e uma das responsáveis pela pesquisa. “Se outros estudos confirmarem os resultados, a medição dos níveis do fator de crescimento epidérmico pode ser útil tanto como ferramenta de diagnóstico clínico como na elaboração de estudos destinados a preservar a cognição na doença de Parkinson”.

Cerca de 80% dos pacientes com Parkinson desenvolve a demência ao longo do curso da doença. Embora o tempo do problema e a idade avançada sejam fatores de risco, alguns indivíduos experimentam distúrbios cognitivos mais cedo, assim que a doença começa a se manifestar. De acordo com o estudo, pacientes com altos níveis da proteína tinham oito vezes mais probabilidade de desenvolver um segundo problema.

A maneira mais eficiente e rentável de testar um medicamento que poderia preservar a cognição em pacientes com Parkinson é identificar a população de alto risco para um ensaio clínico, de forma a avaliar os efeitos de uma droga em um curto espaço de tempo. O biomarcador, desta forma, poderia ser usado para selecionar este grupo de risco.

“Um teste para o prejuízo cognitivo da doença de Parkinson pode não apenas ajudar os pacientes no planejamento do futuro, como para selecionar indivíduos com risco maior, reduzindo significativamente o tempo necessário para determinar se novas drogas funcionam”, explica o autor sênior do estudo John Q. Trojanowski.

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– A protein involved in regulating growth, proliferation and cell differentiation –