Tolerância pode ser estimulada em crianças alérgicas a alimentos

Experiência "transformou" ratinhos alérgicos a ovos, mostrando que ingestão de peptídeos pode solucionar o problema de forma simples.

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10 de maio de 2010 | 15h25

Algumas pessoas simplesmente não conseguem superar a reação alérgica desencadeada pela ingestão de alimentos como ovos, leites e amendoim.

Algumas pessoas simplesmente não conseguem superar a reação alérgica desencadeada pela ingestão de alimentos como ovos, leites e amendoim.

Pesquisadores da Universidade de Guelph, no Canadá, descobriam uma forma de aumentar a tolerância a certos alimentos em crianças alérgicas. Em experiências com roedores, a equipe conseguiu fazer com que os animais se tornassem menos sensíveis após a ingestão de apenas uma parte da proteína que desencadeia a reação alérgica.

 “Ao ingerir apenas os peptídeos, e não a proteína inteira, o corpo suprime a vontade de reagir”, explica Yoshinori Mine, envolvido no trabalho. “Após a exposição repetida, o corpo aprende a aceitar a proteína em vez de tentar se defender dela. Esta abordagem tem a enorme promessa para os seres humanos, de proporcionar uma abordagem mais segura e conveniente de lidar com as alergias infantis”.

Quase a metade das crianças com alergia alimentar supera o problema com o passar dos anos, já que o sistema imunológico do intestino passa a desenvolver certas proteínas que durante a fase de desenvolvimento não conseguiria. Mesmo assim, 50% dos indivíduos continuam tendo que fazer sérias restrições alimentares, como evitar o consumo de ovos e leite.

Uma vez que certas proteínas não são digeridas, passam imediatamente para a corrente sanguínea, desencadeando um processo de defesa do organismo. “Ninguém foi capaz de explicar por que algumas crianças não superam a resposta alérgica”, diz Mine. “Esta pesquisa tem como objetivo ajudá-las a desenvolver a tolerância”.

Ratinhos que não comem ovos

A equipe utilizou um modelo de rato desenvolvido para ter alergia a ovos. Como em certos seres humanos, a ingestão do alimento pode provocar até choque anafilático. O teste consistiu em alimentar estes roedores com vários peptídeos da proteína do ovo, estimulando reações alérgicas. Depois de seis semanas, os ratos conseguiram ingerir a proteína inteira – o equivalente ao consumo de um ovo por uma criança.

Os pesquisadores analisaram amostras de sangue e tecidos para testar os níveis de histamina e imunoglobulina E (anticorpos que induzem a reação alérgica). Os resultados mostraram que 80% dos ratos não tiveram reação e 20% experimentaram uma fraca alergia. “Quando ingeridos, os múltiplos peptídeos ajudam a estimular o organismo a produzi linfócitos-T supressores específicos para a supressão alergênica”, explica o pesquisador.

Agora, a técnica deve ser aprimorada em ensaios clínicos com humanos. Estes peptídeos poderiam futuramente ser administrados oralmente, até mesmo em biscoitos. A abordagem pode ajudar no desenvolvimento de terapias contra outros tipos de alergias alimentares, como a acarretada pelo consumo de amendoim.

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