Treino em altas altitudes pode reduzir resistência de algumas pessoas

De acordo com os pesquisadores, não é possível saber ainda quando o treinamento em altitudes elevadas pode ser benéfica.

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29 de junho de 2010 | 15h12

De acordo com os pesquisadores, não é possível saber ainda quando o treinamento em altitudes elevadas pode ser benéfica.

De acordo com os pesquisadores, não é possível saber ainda quando o treinamento em altitudes elevadas pode ser benéfica.

Muitos atletas usam o treinamento em altitude para aumentar a resistência em ambientes mais “hostis”. No entanto, um trabalho realizado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostra que isso pode não ser uma boa ideia: estadias prolongadas em altas altitudes podem levar a perda da capacidade do músculo usar o oxigênio para realizar o seu trabalho em algumas pessoas com uma rara condição.

Geralmente, o corpo reage aos baixos níveis de oxigênio em altas temperaturas, primeiramente pela respiração ofegante e coração batendo mais depressa. Depois, o organismo passa a produzir mais glóbulos vermelhos e aumenta a densidade dos vasos sanguíneos nos músculos.

Entretanto, uma estadia prolongada pode também diminuir a capacidade do músculo aproveitar o oxigênio: a quantidade de mitocôndrias cai. “Os atletas estão interessados em uma capacidade maior de fornecer combustível para os músculos”, ressalta Federico Formenti, do Departamento de Fisiologia, Anatomia e Genética da Universidade de Oxford. “No entanto, não está claro quanto tempo eles devem treinar em altitude elevado ou como eles podem obter ótimos benefícios”.

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Uma proteína chamada fator induzível por hipóxia (HIF) é importante na resposta do organismo em altitudes elevadas, já que é estimulada pelos baixos níveis de oxigênio. Algumas pessoas têm uma alteração genética que provoca níveis elevados constantes de HIF, mesmo em condições “normais”. Esta condição é conhecida como policitemia Chuvash.

Experiências com pessoas com policitemia Chuvash, grupo de controle e até em modelos animais mostram que indivíduos com níveis elevados de HIF tendem a ter um desempenho de resistência 30% pior do que os demais participantes. Uma das explicações seria que o metabolismo destas pessoas faz uso menos eficiente do combustível disponível, explicando a capacidade reduzida durante um exercício.

O estudo fornece alguns insights para o entendimento de algumas doenças, como o as de pulmão, coração, sistema vascular e até o câncer. O trabalho aparece na revista PNAS e foi financiado pela Fundação Britânica do Coração e do Wellcome Trust.

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