Visão de mundo da criança é mesmo diferente da dos adultos

Crianças pensam muito diferente de adultos, porque percebem o mundo visual de forma específica.

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16 Setembro 2010 | 14h21

Crédito: Ciência Diária.

Crédito: Ciência Diária.

Talvez faça mesmo sentido dizer que os pais não entendem os filhos: de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da College London e Birkbeck, crianças pensam muito diferente de adultos, porque percebem o mundo visual de forma específica. Pequenos com menos de 12 anos não combinam a informação sensorial da mesma forma que os mais velhos: o cérebro recebe as mensagens da visão, da audição e dos demais sentidos de uma maneira própria.

“Para darmos sentido ao mundo, contamos com muitos tipos de informações”, diz Marko Nardini, autor do estudo. “A vantagem de combinar informações através de diferentes sentidos é que podemos determinar o que está lá fora com mais precisão do que usando qualquer sentido de forma isolada”.

O pesquisador explica que mesmo um único sentido capta informações de diferentes maneiras. “Dentro da visão, existem várias maneiras de perceber a profundidade”, ressalta Nardini. Examinando como crianças e adultos combinam perspectiva e informação de profundidade binocular, a equipe observou que a capacidade de usar os dois tipos de informação juntos não acontece antes dos 12 anos.

Entretanto, combinar as informações sensoriais pode também resultar na incapacidade de separar peças individuais de fontes de informação para a percepção do todo – algo conhecido como “fusão sensorial”, um efeito que tem sido observado em adultos.

Para observar esta questão, os pesquisadores usaram discos especiais em 3D em que a informação binocular e perspectiva discordavam. Como resultado, adultos foram menos capazes de determinar inclinações. Em contrapartida, crianças de seis anos de idade não tiveram nenhuma dificuldade em detectar as diferenças.

Agora, a equipe planeja utilizar dados obtidos por ressonância magnética funcional para determinar as mudanças no cérebro que sustentam a habilidade das crianças em combinar informações visuais da mesma forma que um adulto.

Os resultados do trabalho foram publicados no Proceedings of the National Academy of Sciences.

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