Alimentos com “gordura zero” podem contribuir para obesidade

Comida preparada com gordura sintética, substituta da gordura natural, interfere em habilidade do corpo de regular ingestão alimentar.

taniager

21 Junho 2011 | 07h56

Crédito: Ricardo Gerasimenko.

Crédito: Ricardo Gerasimenko.

Rótulos estampados com as palavras “zero caloria” nas embalagens de alimentos processados costumam chamar a atenção do público interessado em manter a forma ou reduzir alguns quilinhos. Mas esta seria a melhor opção para emagrecer? Pesquisadores interessados em dar uma resposta à questão realizaram uma experiência e constataram que batatinhas fritas processadas de baixa caloria, bem como outros alimentos com gorduras sintéticas, poderiam contribuir para o ganho de peso. O artigo do estudo realizado por equipe da Universidade de Purdue, EUA, foi publicado na revista Behavioral Neuroscience da American Psychological Association (APA) recentemente.

O estudo mostrou que a comida preparada com gordura sintética, substituta da gordura natural, interfere na habilidade do corpo de regular a ingestão alimentar.  Isto pode levar o organismo ao uso inadequado de calorias e consequentemente elevar o peso.

A experiência foi feita com dois grupos de ratinhos alimentados somente com batatinhas processadas: um grupo recebeu primeiramente este alimento na forma “light”, de baixa caloria, e alguns dias depois, na forma de alta caloria; outro grupo foi alimentado apenas com batatinhas de alta caloria.  As batatinhas de baixa caloria são feitas com olestra, uma gordura artificial que tem zero caloria e passa pelo corpo sem ser digerida.

O resultado evidenciou que os ratinhos alimentados com ambos os tipos de batatinhas consumiram mais, ganharam mais peso e desenvolveram mais tecidos de gordura que aqueles alimentados apenas com batatinhas de alta caloria. Os ratos gordos também não perderam o peso extra mesmo depois da dieta com batatinhas ser removida.

A explicação pode residir no paladar. O sabor da gordura natural desencadeia várias respostas do organismo, incluindo salivação, secreções hormonais e reações metabólicas. A ingestão de gordura sintética pode interferir com estas respostas.

Assim, quando os animais comem alimentos feitos com gordura artificial, as funções metabólicas são desreguladas e a ingestão posterior de alimentos com gordura natural é prejudicada. Por outro lado, ingerir apenas gordura sintética não engorda, mas também não emagrece. O ideal seria apenas reduzir a quantidade de gordura natural ingerida para emagrecer.

Pesquisas anteriores também haviam mostrado que o mesmo vale para os açúcares artificiais.

“Infelizmente, não há nenhuma bala de prata”, disse Susan E. Swithers, professora de psicologia e líder da equipe de estudo. “Comer alimentos que possuam naturalmente baixos níveis de gordura e caloria poderia ser um caminho melhor do que confiar em substitutos de gordura ou adoçantes artificiais”.

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