Verme “astronauta” dá pista para bloquear degradação muscular

Milhares de vermes Caenorhabditis elegans (C. elegans) enviados ao espaço foram analisados após seu retorno.

taniager

02 Junho 2011 | 13h45

Um minúsculo verme C. elegans. Crédito: ESA.

Um minúsculo verme C. elegans. Crédito: ESA.

Milhares de vermes Caenorhabditis elegans (C. elegans) enviados ao espaço foram analisados após seu retorno. O passeio havia sido programado para estudar problemas relacionados com perdas musculares experimentadas por astronautas durante os voos espaciais. Os resultados do estudo proporcionaram aos especialistas uma nova visão sobre como bloquear a degradação muscular em doentes e idosos. O artigo sobre o estudo intitulado “The Effectiveness of RNAi in Caenorhabditis elegans Is Maintained during Spaceflight” foi publicado ontem e pode ser acessado no site  PLoS One.

Os microscópicos vermes haviam sido coletados em lixões de Bristol, Inglaterra, e enviados a bordo do ônibus espacial Atlantis para uma permanência de 13 dias na estação espacial internacional em órbita a mais de 300 quilômetros de distância da Terra.

A razão da escolha dos minúsculos seres se deve ao fato de que 20 mil de seus genes executam as mesmas funções que aqueles dos seres humanos. Os cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, Inglaterra, desejavam estudar a eficácia da interferência de RNA (RNAi), uma técnica experimentada e testada que regula a expressão gênica em tecidos doentes, e se esta  técnica poderia ser empregada para reduzir ou controlar a dramática perda muscular experimentada por astronautas durante os voos espaciais.

Os resultados do estudo mostraram que o RNAi, objeto de muitos ensaios clínicos focados em doenças como câncer e asma, por exemplo, funciona normalmente no espaço e, em razão disto, poderia ser usado como uma opção viável para tratar e controlar a degradação muscular sofrida por astronautas, bem como por pessoas doentes e idosas.

Os vermes foram tratados com RNAi ainda no espaço por uma equipe de cientistas japoneses a bordo da estação e foram analisados por Nathaniel Szewczyk, da Divisão de Fisiologia Clínica da referida universidade, ao retornarem. Os resultados demonstram claramente que o RNAi pode ser utilizado eficientemente para bloquear as proteínas que são necessárias ao encolhimento dos músculos, não apenas aqui na Terra como no céu.

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