ABUTRES NO CÉU, É UM BOM SINAL

ABUTRES NO CÉU, É UM BOM SINAL

Herton Escobar

04 Dezembro 2012 | 13h39

Em dezembro de 2011 publiquei uma reportagem especial (a última da série Repórter Viajante) sobre a crise dos abutres asiáticos. Agora, um ano depois, volto ao assunto com uma boa notícia: os abutres continuam ameaçados de extinção, mas pelo menos seus números, aparentemente, pararam de cair … as pequenas populações que restam parecem estar estáveis, o que já é um grande avanço.

Eu sei que a maioria das pessoas não liga para abutres, urubus e outras aves carniceiras do tipo, mas trata-se de um caso extremamente curioso e ecologicamente relevante. Três espécies de abutres estão ameaçadas de extinção por causa de uma droga veterinária chamada diclofenaco. (Se o nome te soa familiar, não é à toa … é porque o diclofenaco também é usado em humanos, como analgésico e antinflamatório … você provavelmente já comprou na farmácia alguma vez ou várias vezes.)

A droga não é aplicada diretamente nos abutres; ela é usada no gado. Então, qual é a relação entre uma coisa e outra? É que o diclofenaco é inofensivo para vacas e seres humanos, porém altamente tóxico para os abutres (por razões fisiológicas que ninguém até hoje descobriu). Quando uma vaca que foi tratada com a droga morre no campo e os abutres se alimentam de sua carcaça, os abutres morrem também pouco tempo depois. Uma espécie em particular, o Gyps bengalensis (foto), foi quase que dizimada por conta disso nos últimos 20 anos.

As populações que restam estão principalmente na Índia e no Nepal. Nos últimos anos, o uso veterinário do diclofenaco foi banido, as populações tradicionais foram instruídas a enterrar ou queimar suas carcaças, e os resultados positivos começam a aparecer, segundo este estudo publicado na revista PLoS One e divulgado pela Bombay Natural History Society, da Índia.

Para mais detalhes sobre este assunto, veja minha reportagem de um ano atrás: Abutres em Perigo. Tem até “restaurante de abutre” para preservar os bichos. Imagine só!

Abraços a todos.