Crustáceo desafia cientistas com seus olhos complexos

Crustáceo desafia cientistas com seus olhos complexos

Herton Escobar

24 Janeiro 2014 | 20h38

FOTO: Um estomatópode da espécie Odontodactylus scyllarus. Crédito: Roy Caldwell/Science

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

Os estomatópodes, conhecidos em inglês como “”mantis shrimps“– crustáceos marinhos supercoloridos, que parecem um híbrido de camarão com louva-deus e alien vestido para o carnaval — são famosos pela força e velocidade de suas “garras”, que se projetam com a velocidade de uma bala para atordoar, capturar ou estraçalhar carapaças de presas. Mas não é só isso que os diferencia: além do “gatilho” mais rápido do fundo dos mares, eles também possuem os olhos mais complexos de que se tem notícia no reino animal.

Os olhos dos estomatópodes têm 12 tipos de fotorreceptores, cada um deles específico para uma determinada faixa de comprimento de onda. Nove a mais do que nós primatas (que temos três), e 10 a mais do que a maioria dos mamíferos. Só quem chega perto (e mesmo assim, não muito perto) são as borboletas, que têm seis.

Mas pra quê tudo isso? Essa é a pergunta que os cientistas não sabem responder ainda. Teoricamente, quatro a sete tipos de receptores são suficientes para enxergar todas as cores do espectro visível, com diferentes variações. Qual a vantagem, então, de ter 12?? Talvez os estomatópodes sejam capazes de distinguir pequenas diferenças de tonalidade entre cores parecidas? Essa é uma das hipóteses … mas um estudo publicado hoje na revista Science sugere exatamente o contrário.

Segundo o estudo, os “mantis shrimps” (que não são camarões, apesar do nome) são péssimos em diferenciar cores semelhantes — por exemplo: amarelo escuro de laranja claro — mas são extremamente eficientes para identificar cores básicas de uma forma geral — por exemplo: diferenciar amarelo de laranja. Nós também somos capazes de fazer isso com apenas três fotorreceptores, claro, mas os estomatópodes o fazem com uma velocidade muito maior, usando menos processamento cerebral do que nós. Bateu o olho no amarelo, já sabe que é amarelo, quase que instantaneamente! E qual a vantagem disso? Essa resposta fica para outro estudo … mas talvez seja uma vantagem para se alimentar e sobreviver no mundo supercolorido dos recifes de coral, especulam os cientistas.

Maravilhas do mundo animal. Imagine só!

Abaixo, um vídeo muito bacana (e engraçado, para quem entende o inglês) que encontrei no YouTube:

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