Expectativa sobre adesão do Brasil ao ESO aumenta, mas projeto continua na Casa Civil

Expectativa sobre adesão do Brasil ao ESO aumenta, mas projeto continua na Casa Civil

Herton Escobar

10 Fevereiro 2013 | 20h17

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

A visita da presidente Dilma Rousseff ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, no mês passado, deixou a comunidade astronômica brasileira ansiosa. Um dos temas tratados no encontro teria sido a adesão do Brasil ao Observatório Europeu do Sul (ESO), localizado nos Andes chilenos. Ao fim da reunião, Dilma disse em discurso que os países veem “com muita expectativa a possibilidade de desenvolver a cooperação no que se refere à essa posição estratégica que o Chile tem no que se refere aos observatórios astronômicos, que é do imenso interesse do Brasil”.

Segundo o Estado apurou, porém, o acordo de adesão do Brasil ao ESO continua em análise na Casa Civil, sem previsão oficial de quando será encaminhado ao Congresso para ratificação. Nem a Presidência da República nem os outros dois ministérios envolvidos (Ciência e Tecnologia e Relações Exteriores) deram qualquer detalhe sobre a tramitação do processo.

O acordo foi assinado em dezembro de 2010, mas precisa ser ratificado pelo Congresso para entrar em vigor. O contrato prevê o pagamento de R$ 565 milhões em dez anos, em troca de acesso integral a todos os observatórios do ESO no Chile e participação na construção do Telescópio Europeu Extremamente Grande (E-ELT) – um projeto de EU$ 1 bilhão, que depende ainda da adesão do Brasil e de mais um país europeu (Grã-Bretanha ou Espanha) para ser construído.

O projeto final do E-ELT foi aprovado pelo Conselho do ESO em dezembro (ilustração acima). Ele deverá ser o maior telescópio do mundo, com um espelho primário de 39 metros de diâmetro, comparado a 8 metros dos grandes telescópios atuais. “Temos luz verde para começar a construir assim que tivermos os recursos necessários assegurados”, disse ao Estado Jochen Liske, astrônomo do ESO, que também participou da conferência sobre cosmologia da USP.

A construção só terá início com 90% do orçamento assegurado. Por enquanto, há apenas 60%. Um posicionamento do Brasil é esperado para a próxima reunião do conselho, em junho. “É a primeira vez que o Brasil tem papel determinante no desenvolvimento de um projeto desse porte na astronomia mundial. Sendo assim, a comunidade brasileira espera que a tramitação do processo na Casa Civil se processe rapidamente”, diz a astrônoma Beatriz Barbuy, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

Para mais detalhes sobre o caso Brasil-ESO-E-ELT, veja os posts anteriores sobre o assunto.