Pelo bem-estar das galinhas

Estadão

26 Novembro 2010 | 20h20

Por Gustavo Bonfiglioli – Especial para o Planeta

Três alunas do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) ganharam nesta quinta-feira o prêmio de Bem-estar animal 2010 concedido pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA ), em sua versão brasileira.O concurso destaca os melhores trabalhos relacionados ao manejo de aves, suínos, bois e outros animais utilizados pela indústria pecuária. A ZooBem, equipe formada pelas universitárias Karen Camille Rocha Goís, Dandara de Oliveira Felix, Sharacely de Souza Farias, pela professora-orientadora Marcia Nunes Bandeira Roner e pela colaboradora Patrícia Cruz, ganhou uma viagem à Inglaterra para conhecer a sede da WSPA em Londres e a fazenda-modelo da instituição, mantida em parceria com a Food Animal InitiativeI (FAI), em Oxford.

A pesquisa foi realizada de maio a novembro deste ano, com enfoque nas granjas de avicultura em Sergipe. “Além de estudar as condições de criação nas granjas, realizamos um levantamento de como a mídia cobre as questões relacionadas ao bem-estar destes animais e aplicamos um questionário aos consumidores. É importante que esse tipo de pesquisa não se restrinja à área acadêmica e aos produtores, porque a adaptação do mercado parte da mudança de postura de quem consome”, explica Dandara, uma das alunas que participam do ZooBem. Segundo a universitária, a pesquisa demonstrou que 90% dos consumidores abordados em supermercados de Aracaju pagariam até três vezes mais por um produto que tenha garantia de criação em condições de bem-estar e conforto animal.

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Foi utilizada uma metodologia que se baseia em cinco liberdades fundamentais, seja na avicultura, suinocultura ou bovinocultura: animais livres de fome/sede, de angústia e medo, de dor ou doença, de desconforto e de condições que o impeçam de expressar comportamento natural. “Algumas granjas possuem uma população muito grande de galinhas, em espaços muito pequenos. Isso provoca desvios de comportamento natural da espécie, como o canibalismo”, exemplifica Dandara. O curso de Zootecnia da UFS existe há apenas 5 anos, e a equipe foi a primeira da região Nordeste a levar primeiro o prêmio: no ano passado, as mesmas meninas ficaram com o segundo lugar.

“Constatamos que o interesse pelo bem-estar animal está se disseminando pelo país. A tendência do mercado consumidor de produtos de origem animal é se tornar cada vez mais exigente, e os futuros profissionais precisam estar preparados”, comenta Ingrid Eder, gerente de Campanhas da WSPA Brasil e organizadora do prêmio. No Brasil, não existe legislação específica para garantir o bem-estar animal durante a sua criação – apenas leis relacionadas ao abate humanitário. “Mas algumas empresas, por uma conduta bioética própria, exigem mais garantias para escolher os frigoríficos do que a própria legislação”, explica Patrícia Barbalho, colaboradora da pesquisa e doutoranda em bem-estar animal na UFS.