Astronomia e cidadania

Astronomia e cidadania

Reflexões sobre o fenômeno celeste de ontem

Gustavo Rojas

28 Julho 2018 | 14h42

O eclipse lunar da sexta-feira foi um espetáculo natural acompanhado por milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, o tempo colaborou na maior parte do país, e levou grande público aos  eventos promovidos por observatórios, planetários, universidades e clubes de astronomia.

Lua eclipsada sobre o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Crédito: Carl de Souza/AFP

De Norte a Sul, astrônomos profissionais e amadores, professores e alunos, se esforçaram em proporcionar aos interessados que lotaram os eventos a chance de se maravilhar com a Lua lentamente emergindo da sombra da Terra, e de observar os planetas Vênus, Marte, Júpiter e Saturno através do telescópio.

Sequência de imagens durante o auge do eclipse lunar. Crédito: A. Ayiomamitis.

Essa foi uma oportunidade para que milhares de brasileiros, infelizmente acostumados a ficarem trancados em suas casas com medo da violência, pudessem pelo menos por algumas horas recuperar um espaço que sempre foi nosso: as ruas, praças, parques e praias do país.

Fiquei muito contente com os relatos dos eventos em diversas partes do país. Milhares de pessoas se reuniram no Forte de Copacabana do Rio, no Planetário de Santo André, nas praias de Campos dos Goytacazes e de Maceió, e em vários outros lugares. Em São Carlos, onde resido, o Observatório da Universidade Federal recebeu seu maior público até hoje. O Sol ainda estava brilhando quando uma longa fila se formou à espera da aparição da Lua. Apesar da multidão, não houve um registro de confusão, nenhum incidente de desrespeito de fila.

Longas filas se formaram para observação do eclipse no campus da UFSCar em São Carlos/SP. Crédito: G. Rojas

O que mais me chamou a atenção nas fotos dos eventos que acompanhei pelas redes sociais foi a presença maciça das famílias. Pais com seus filhos. Netos acompanhados de seus avós. Famílias inteiras participando não somente de uma observação astronômica, mas de algo muito maior: um exercício de cidadania e integração com nossos vizinhos.

A maior lembrança que vou guardar dessa noite do eclipse é que esquecemos nossas diferenças enquanto olhávamos para o céu. E é disso que nossa sociedade está precisando: percebermos que a saída para a crise moral do nosso país é através da união, respeito ao próximo, e valorização da educação. Que o próximo eclipse em 21 de janeiro de 2019 permita que nosso país faça como a Lua: reencontre luz depois da escuridão.

Fase final do eclipse total da Lua em 27/7/2018. Crédito: G. Rojas

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