2008 deverá ser o ano mais frio da década, dizem britânicos

Especialista diz que resultado não é sinal de redução da mudança climática, e cita tendência de longo prazo

da Redação,

05 de dezembro de 2008 | 14h49

Dados preliminares da média global de temperatura do Escritório de Meteorologia (Met Office) do governo britânico indicam que 2008 será o ano mais frio da década, de acordo com reportagem do jornal The Guardian. A divulgação oficial do relatório do Met Office está prevista para a próxima semana.   Gráfico do Centro Hadley, mostrando a variação ("anomalia") da temperatura médio anual do ar, do século 19 e até 2007, em relação à média calculada de 1961 a 1990   De acordo com o jornal, a temperatura média do planeta Terra ficará, em 2008, em 14,3º C, ou 0,14º C abaixo da média apurada entre 2001 e 2007. Segundo o cientista Peter Smith, do Centro Hadley, ligado ao Met Office, o resultado não representa uma refutação do fenômeno do aquecimento global. "Para entender a mudança climática, é preciso olhar para as tendências de longo prazo", disse ele ao Guardian.   Veja também:   Estudo diz que mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008 Mudança climática pode elevar número de refugiados, diz ONU Acordo para vítimas do clima pode ser necessário, diz WWF Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018 Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    Página oficial da conferência    Segundo gráfico histórico elaborado pelo Centro Hadley, praticamente todos os anos, de 1860 e até a década de 90, foram mais frios que uma média apurada de 1961 a 1990. Já a partir dos anos 80 a curva se inverte, com anos consistentemente mais quentes que a média do século passado. Mesmo sendo o ano mais frio da década, 2008 ainda será excepcionalmente quente na comparação com as temperaturas normais dos 150 anos anteriores.   Em artigo publicado em 2007 na revista científica Science, pesquisadores do Centro Hadley já previam que o aquecimento global daria uma breve trégua de alguns poucos anos. Mas o modelo de previsão climática descrito no texto indica ainda que metade do período entre 2009 e 2014 será mais quente do que 1998, ano em que foram registradas as temperaturas mais altas da história.   Mais recentemente, cientistas realizaram um estudo confirmando que a  Antártida quanto o Ártico estão menos gelados devido ao aquecimento global. Os pesquisadores estimam que o derretimento total do gelo da Antártida e da Groenlândia poderia fazer o nível global do mar subir cerca de 70 metros. O Painel Climático da ONU estima uma subida de 18-59 centímetros no nível do mar neste século, parte de um novo padrão que também deve incluir mais secas, inundações, ondas de calor e tempestades.   Brasil   A temperatura mais baixa para o mês de janeiro dos últimos 26 anos, na cidade de São Paulo, foi registrada neste ano, no dia 29. Segundo dados da Estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Mirante de Santana, zona norte da capital paulista, no dia os termômetros apontaram a máxima de 19,4ºC - a mesma de 3 de janeiro de 1982.    De acordo com o instituto, entre os dias 20 e 30 de janeiro, as máximas variaram entre 19ºC e 26ºC, o que representa o período mais longo com temperaturas abaixo dos 26ºC em janeiro desde 1987.

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