40 anos depois, laser atinge sonda soviética na superfície da Lua

Sonda redescoberta ajudará cientistas a testar a Teoria da Relatividade Geral

estadao.com.br

26 Abril 2010 | 20h09

Uma equipe de cientistas conseguiu determinar a localização de um refletor de luz deixado na superfície lunar há quase 40 anos pela União Soviética. O refletor laser, de fabricação francesa, foi enviado a bordo da sonda não tripulada Luna 17, que partiu para a Lua em dezembro de 1970, e liberou um robô sobre rodas que carregou o refletor. O robô, chamado Lunokhod 1, fez contato pela última vez em setembro de 1971.

 

"Ninguém viu o refletor desde 1971", disse o pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego, Tom Murphy. Ele lidera uma equipe de cientistas envolvida na busca por desvios na Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Esses desvios, se existirem, devem aparecer na trajetória na Lua pelo espaço.

 

Os pesquisadores precisam verificar a órbita da Lua com precisão de um milímetro, e fazem isso refletindo feixes de laser a partir de refletores deixados na superfície do satélite. Os refletores que vinham sendo usados mais frequentemente são os deixados pelas missões americanas Apollo.

 

"Rotineiramente, usamos os refletores deixados na Lua pelas Apollo 11, 14 e 15", disse Murphy. "E, ocasionalmente, o do Lunokhod 2 soviético. Mas ansiávamos pelo Lunokhod 1".

 

Três refletores são necessários para definir a orientação da Lua. Um quarto acrescenta informação sobre a distorção provocada pela gravidade e um quinto refina a informação.

 

De acordo com os pesquisadores, o Lunokhod 1, por sua localização, tem o potencial de oferecer a melhor posição do centro da Lua, fundamental para a pesquisa.

 

Encontrar o refletor perdido foi possível graças a imagens de alta resolução feitas pela sonda orbital americana Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO). A primeira reflexão obtida a partir do robô reencontrado ocorreu no último dia 22.

 

A descoberta do refletor soviético foi uma surpresa, porque buscas infrutíferas vinham sendo empreendidas há praticamente 40 anos. E, no fim, o espelho do Lunokhod 1 se mostrou melhor posicionado que o do Lunokhod 2.

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