Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

'A Europa sempre defendeu uma ambição maior', diz português

José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, cobra menos palavras e mais ações dos líderes

Tiago Rogero, do Rio,

21 Junho 2012 | 22h30

 O presidente da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), José Manuel Durão Barroso, negou ontem que a crise econômica na Europa tenha sido a responsável pelo enfraquecimento do documento final da Rio+20. “A Europa sempre defendeu uma ambição maior”, justificou. O português, apesar de criticar a falta de ambição do documento, elogiou o desempenho do Brasil na condução das negociações.

 

"Pense só como seria se saíssem todos daqui brigados. Se não houvesse um consenso na Rio+20, dadas as incertezas que existem hoje na economia mundial, teria sido muito negativo", disse, em entrevista ao Estado. "Dito isso, é preciso compreender que a Europa está a favor de mais ambição. Portanto, é preciso pensar não só no caminho até o Rio, mas, agora, a partir do Rio. E é preciso não só falar de desenvolvimento sustentável, mas fazer".  Segundo ele, a Europa vai continuar trabalhando para buscar "mais ambição no futuro".

"E por isso é preciso uma urgência ainda maior, com ação decidida, para a economia verde e o desenvolvimento sustentável na luta contra a pobreza", afirmou. A UE esperava que o conceito de "economia verde" saísse mais fortalecido da Rio+20.

Outra derrota para os europeus no documento final foi a não transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em agência especializada. O documento prevê apenas o "fortalecimento" da entidade, e deixou a decisão sobre a elevação dela para o futuro.

Para o presidente da Comissão Europeia, o documento, mesmo enfraquecido, representa um progresso importante. Ele participou da Rio-92, então representando Portugal.

Segundo Barroso, houve grandes avanços desde então. "O nível de consciência ambiental é muito maior em todo o mundo. E por isso a Rio+20 é mais um passo muito importante, mas com certeza não é o passo final no caminho para o desenvolvimento sustentável", disse.

Crise. O presidente da Comissão Europeia reconheceu as incertezas a nível mundial sobre a união econômica e monetária na Europa, mas está otimista. "Quero dizer que tenho plena confiança na nossa capacidade de ultrapassar essas dificuldades. A eleição grega foi muito boa nesse sentido porque confirmou a vitória daqueles que são a favor do euro e do aprofundamento da integração", afirmou, referindo-se à vitória do partido conservador Nova Democracia no pleito parlamentar do último domingo, na Grécia.

"O euro tem futuro e continua sendo uma moeda muito forte", disse. Segundo Barroso, uma reunião, na semana que vem, em Bruxelas, vai definir quais vão ser os próximos passos. "Porque agora temos uma moeda única, com 17 dos (27) países da União, mas ainda não estão sendo discutidos todos os mecanismos que acompanham essa união, mas esta é a nossa vontade. Isso é um sinal de confiança, também, para os mercados".

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