A verdadeira fonte da vida

Imagine só: nós, seres humanos, não fazemos fotossíntese, mas somos tão dependentes do Sol quanto uma planta. Se não fosse por aquela bola alaranjada no céu, banhando nosso planeta de luz e calor todos os dias, a vida na Terra não sobreviveria - pelo menos, não como a conhecemos. A raça humana seria exterminada, tão certamente quanto uma planta que é privada de luz.   Pensei nisso recentemente, na semana passada, enquanto assistia a um nascer do Sol espetacular do alto do Pico da Bandeira, a quase 3 mil metros de altitude, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. Não costumo dar muita bola para o raiar do dia nem o cair da noite, mas aquele foi realmente uma momento especial, imerso no silêncio absoluto da montanha.   Se não fosse por aquela bola alaranjada, pensei, eu não teria a aveia que comi no café da manhã, porque a planta que produz a aveia não existiria. Também não haveria leite na minha xícara, pois a vaca que produz o leite precisa comer grama para sobreviver, e a grama precisa do Sol para fazer fotossíntese.   Também não existiria o algodão para fabricar a minha camiseta, e a paisagem ao meu redor, em vez de recoberta de vegetação verde, seria apenas um deserto de pedra nua e fria. Todas aquelas fazendas de café no horizonte seriam aniquiladas em poucos dias se a bola alaranjada parasse de brilhar. A Amazônia morreria. Os bois, as vacas, as cabras, as galinhas e os peixes também morreriam. Nós, mais cedo ou mais tarde, morreríamos também.   Não é à toa que muitos povos da antiguidade idolatravam o Sol. Faz sentido. Aquela bola gigantesca de hidrogênio e hélio é, realmente, a base da vida na Terra. Não foi ela que criou a vida, mas é ela que a sustenta.   Toda a energia que usamos no nosso dia-a-dia é, de uma forma ou de outra, um subproduto da energia solar. A energia dos alimentos que nos mantêm vivos nada mais é do que energia solar convertida em biomassa pela fotossíntese. O churrasco que comemos no fim de semana nada mais é do que biomassa vegetal convertida em biomassa animal. No fim das contas, toda carne é carne de sol!   O Sol é a base da fotossíntese, e a fotossíntese é a base da cadeia alimentar de todos os seres vivos (ou quase todos, com algumas exceções extremas que não têm influência prática na nossa vida, como os micróbios que vivem no interior da crosta terrestre, nas profundezas do oceano ou que se alimentam de matéria não orgânica ... mas eles são irrelevantes para a nossa sobrevivência, portanto não vamos perder nosso tempo com eles aqui).   Nem mesmo o seu carro funcionaria sem o Sol! Afinal, como já expliquei em um dos primeiros artigos do ano passado, o petróleo que serve de matéria-prima para a gasolina e o diesel nada mais é do que um suco de matéria orgânica produzido pela decomposição de plantas e animais mortos e soterrados milhões de anos atrás (que utilizavam o Sol para sobreviver). Quando se trata do etanol, então, a coisa fica ainda mais óbvia: sem luz solar não existiria a cana de açúcar, não existiria álcool combustível.   De vez em quando aparece um maluco na televisão dizendo que "se alimenta de Sol". Claro que isso é uma balela completa, se a frase for interpretada no seu sentido literal (como é a intenção desses malucos). No sentido figurativo, porém, eles não poderiam estar mais corretos - ainda que não saibam disso. Indiretamente, todos nós, de fato, nos alimentamos de energia solar.   Pense nisso a próxima vez que contemplar o nascer do Sol.

22 de janeiro de 2009 | 14h45

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