Ação deve ser rápida para conter mudança climática, diz OCDE

Segundo relatório, 'mudanças climáticas são o desafio mais importante da humanidade'

Doug Mellgren, AP,

05 de março de 2008 | 16h12

O mundo tem que lidar com as alterações climáticas agora - ou pagará um preço muito mais elevado depois, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira, 5.   Em duas décadas, danos ambientais que não forem contidos poderiam levar metade da população mundial a ficar sem água potável, afirmou a Secretária Geral da OCDE, Angel Gurria.   "Mudanças climáticas são o desafio mais importante da humanidade. Nós conhecemos o inimigo: se chama carbono", acrescentou.   Um relatório sobre o cenário ambiental para 2030, parte de uma série de relatórios compilados a cada cinco anos, se concentra na mudança climática, falta de água, necessidade de energia, perda de biodiversidade, transportes, agricultura e pescaria.   "Sem políticas mais ambiciosas, a pressão crescente sobre o meio ambiente poderá causar danos irreversíveis em poucas décadas", diz o relatório. "O custo da falta de ação é alto, enquanto ações ambiciosas para proteger o ecossistema são sustentáveis e podem ser conjugadas ao crescimento econômico".   O relatório sublinha também a necessidade de responsabilidade global. Gurria exortou países como Estados Unidos e os de economia emergente (como China e Índia) para que aceitem um acordo internacional de compromisso para reduzir o lançamento de gases estufa.   Até 2030, a população mundial - hoje de 6,5 bilhões de pessoas - estará próxima de 8,2 bilhões, segundo estimativas, e a economia global pode dobrar de tamanho, principalmente devido ao crescimento de países como Brasil, Rússia, China e Índia, diz o relatório.   O crescimento descontrolado no consumo de energia nesses países pode chegar a 72% nesses países, em contraste com 29% dos países europeus membros da OCDE.   Isso levaria a um crescimento de 38% nas emissões de dióxido de carbono até 2050. Entretanto, se medidas de contenção forem tomadas para estabilizar o crescimento das emissões, há possibilidade de permanecermos nos níveis de 2000, sustenta o relatório.   O relatório diz ainda que governos devem criar políticas como "impostos verdes" para encorajar o desenvolvimento de práticas e tecnologias, e que países ricos devem ajudar os pobres a se desenvolverem sem espalhar poluição através do fornecimento de tecnologias e know-how.   "O relatório da OCDE identifica situações ambientais críticas que todos os países do mundo enfrentarão", disse o Congressista americano Bart Gordon em uma declaração em Washington. "Ele fornece um bom mapa para avaliar desafios ambientais e impactos econômicos que enfrentaremos caso nenhuma atitude seja tomada".   O OCDE é formado por 30 países europeus e se concentra em políticas sociais e econômicas.

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