Hubble/Nasa-ESA
Hubble/Nasa-ESA

Ação para detectar asteroide perigoso é insuficiente, dizem EUA

Relatório da Academia de Ciências dos EStados UNidos diz que falta verba para localização de perigos no espaço

Associated Press,

12 Agosto 2009 | 14h05

A Nasa está encarregada de rastrear a maioria dos asteroides que ameaçam a Terra, mas não tem a verba necessária para fazê-lo, diz um relatório do governo americano.

 

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Isso acontece porque, embora a missão de buscar asteroides perigosos tenha sido dada à Nasa pelo Congresso há quatro anos, os políticos nunca deram à agência a verba para construir os telescópios necessários para a tarefa, diz a Academia Nacional de Ciências. Especificamente, a Nasa foi encarregada de rastrear, até 2020, 90% das rochas espaciais capazes de apresentar perigo para a Terra.

 

Até agora, a agência espacial diz ter completado um terço da tarefa, graças à rede atual de telescópios.

A Nasa estima que existam cerca de 20 mil asteroides e cometas no sistema solar com capacidade de ameaçar a Terra. Eles têm mais de 140 metros de diâmetro. Até agora, os cientistas sabem onde estão cerca de 6 mil desses objetos.

 

Rochas de 140 metros a 1 quilômetro de diâmetro podem devastar toda uma região do planeta, mas não a Terra como um todo, disse o gerente do programa de objetos próximos à Terra da Nasa, Lindley Johnson. Corpos maiores são ainda mais perigosos.

 

Em julho, astrônomos foram surpreendidos quando um corpo de tamanho desconhecido chocou-se com Júpiter e criou uma mancha do tamanho da Terra, que continua a se espalhar. Júpiter sofre mais impactos que a Terra porque é maior, tem mais gravidade e por causa de sua localização.

 

Filmes como Armageddon e passagens próximas de rochas espaciais em anos recentes podem ter alertado o público para o problema, mas quando se trata de agir para monitorar a ameaça, a academia conclui que "houve relativamente pouco esforço por parte do governo americano".

 

E o governo americano é praticamente o único a fazer algo a respeito, diz o texto.

 

"Isso mostra que temos um problema que não está sendo enfrentado", disse Louis Friedman, diretor-executivo da Planetary Society, um grupo de defesa da exploração do espaço.

 

A Nasa calcula que detectar todos os asteroides que a lei determina custaria cerca de US$ 800 milhões entre hoje e 2020, seja com novos telescópios na Terra ou no espaço, disse Johnson. Se a Nasa receber mais US$ 300 milhões, ela será capaz de encontrar a maioria dos asteroides maiores 300 metros, afirmou.

 

Mas, até agora, nenhuma verba foi destinada. E ela poderá não chegar nunca, declarou o professor de política espacial da Universidade George Washington, John Logsdon.

 

"O programa é meio que um pato manco", disse ele. Não há um lobby grande o bastante pressionando pelo dinheiro, acrescentou.

 

Até agora, a Nasa encontrou cerca de cinco objetos que têm uma chance maior que uma em um milhão de atingir nosso planeta e que são grandes o bastante para causar danos graves, disse Johnson. O número muda de tempos em tempos, com novos asteroides entrando na lista e outros saindo, conforme suas órbitas são melhor caracterizadas.

 

As rochas espaciais que os astrônomos vêm acompanhando com mais atenção são uma pedra de 120 metros que tem uma chance em três mil de atingir a Terra em 2048, e o mais famoso asteroide Apófis, com o dobro desse tamanho e que tem uma chance em 33 mil de acertar nosso planeta em 2036, 2037 ou 2069.

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