Achado cemitério de 5.000 anos em área Saara que já foi verde

Cientistas procuravam dinossauros na África quando encontraram vestígios de dois povos que habitaram a região

Associated Press,

14 de agosto de 2008 | 16h41

Uma mulher e duas crianças foram sepultadas sobre um canteiro de flores há 5.000 anos, no que hoje é o deserto do Saara. Os braços das crianças ainda estavam estendidos sobre a mulher, num abraço perpétuo quando pesquisadores descobriram seus esqueletos em um cemitério que está oferecendo pistas sobre duas civilizações que viveram lá, com um intervalo de mil anos, quando a região era úmida e verde.   Paul Sereno, da Universidade de Chicago, e colegas estavam procurando vestígios de dinossauros na nação de Níger, na África, quando encontraram a descoberta surpreendente, disseram em uma entrevista coletiva promovida pela  National Geographic Society.   Cerca de 200 túmulos de seres humanos foram descobertos durante escavações do local em 2005 e 2006, bem como vestígios de animais, crocodilos e peixes. "Para onde quer que você olhasse, havia ossos de animais que não vivem no deserto", disse Sereno. "Vi que estávamos no Saara verde".   O cemitério, revelado pelos ventos do deserto, fica perto do que teria sido um lago na época em que as pessoas habitavam a região. Fica numa área chamada Gobero, escondida no Deserto do Teneré, conhecido pelos nômades tuaregues como "o deserto dentro do deserto". Vestígios humanos correspondem a duas populações distintas, que viveram lá em períodos úmidos, intercalados por uma seca.   O primeiro grupo, conhecido como kiffianos, caçava animais silvestres e pescava com arpões. Eles colonizaram a região quando o Saara estava em sua fase mais úmida, entre 10.000 e 8.000 anos atrás. Os cientistas dizem que esse povo era alto, às vezes chegando a mais de 1,80 metro.   O segundo grupo viveu na região de 7.000 a 4.500 anos atrás. Esses tenerianos eram menores e tinham uma economia mista de caça, pesca e pecuária.

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