Achado osso que permitiu a seres vivos deixar o mar

Um pequeno fóssil de 365 milhões de anos, encontrado no leste da Pensilvânia, é o osso de braço mais antigo de que se tem registro - possivelmente, o precursor do úmero humano. Segundo pesquisadores, pertenceu a uma das primeiras criaturas capazes de se arrastar, um passo na evolução necessário para os animais mudarem-se do mar para terra seca.Quando esse animal viveu, é provável que não existissem vertebrados na terra. Os oceanos eram o habitat de ferozes canibais de dentes aguçados, vivendo uma vida predatória de comer ou ser comido.Foi nesse ambiente hostil que um animal de cerca de 60 centímetros de comprimento, uma espécie de salamandra, mais que um peixe e menos que um verdadeiro anfíbio, fez sua breve aparição, diz o pesquisador Neil Shubin.A criatura de quatro membros tinha um úmero - o osso superior do braço. Esse osso, bem diferente dos ossos dos golfinhos ou peixes, deu-lhe uma importante nova habilidade: ele podia elevar a parte superior do corpo, como um atleta fazendo flexões.?Esse animal esteve lá apenas por um breve momento no tempo?, assegura Shubin, paleontologista da Universidade de Chicago. ?Foi apenas mais tarde que começamos a ver, nos registros fósseis, coisas que andavam normalmente na terra.?O osso superior do braço do animal mostra que a evolução já estava preparando vertebrados para sua grande invasão do mundo além da praia e a aparição, na terra, de anfíbios, répteis, dinossauros, pássaros e mamíferos.?Ele pode tê-lo desenvolvido por uma infinidade de razões, inclusive pressionar a cabeça para fora d?água para respirar ou andar pelo raso?, explica o cientista. ?E não podemos excluir a possibilidade de que caminhasse na terra.?Segundo ele, outros tetrápodes semelhantes do mesmo período são conhecidos por possuir tanto guelras quanto pulmões e, portanto, poder respirar sob ou sobre a água.O fóssil tem um topo ósseo que formava o esteio para músculos de um peito forte, ou peitoral. ?Esse é o músculo usado para flexões?, diz Shubin. ?E é o músculo mais acentuado deste animal.?Segundo ele, a junção do ombro é primitiva, quase uma dobradiça que podia mover o braço para cima e para baixo. O ombro humano permite ao braço vários movimentos em vários graus e em várias direções.?Foi um estágio pelo qual nossos ancestrais comuns passaram, antes de a evolução desenvolver a clássica junta de esfera e soquete?, como a dos ombros humanos.O fóssil do tetrápode foi encontrado numa estrada, na parte oeste da Pensilvânia. A construção da estrada revelou camadas de rocha que se assentaram como sedimentos quando a área foi coberta por um vasto mar interior, alongando-se do que é agora o Golfo do México para o coração do continente norte-americano.Outros fósseis indicam que quase todos os animais da região alimentavam-se de peixe e alguns mediam cerca de 3,5 metros de comprimento, com dentes do tamanho das cavilhas usadas em trilhos de trem.Um desses predadores pode ter matado o tetrápode, cujo fóssil Shubin e seus colegas estudam. Segundo ele, o osso exibe marcas do que devem ser dentes.

Agencia Estado,

01 de abril de 2004 | 19h17

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