Achados pontos do DNA que podem levar a doenças

Uma equipe de cientistas deu um grande passo na busca por genes que causam doenças, ao mapear as pequenas - porém poderosas - variações que formam o ser humano. Um rascunho foi apresentado no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) e é publicado nesta sexta-feira na revista da organização, a Science (www.sciencemag.org).Segundo o editor, Donald Kennedy, o mapa "fornecerá uma fonte inestimável para a pesquisa genética melhorar a saúde humana".As pessoas compartilham 99,9% de seu DNA. É justamente neste 0,1% que moram as diferenças, da cor do cabelo à forma pela qual um organismo responde a determinado remédio ou sua predisposição a doenças.O tipo de mutação genética mais comum pode ser comparado a um erro de soletração.O DNA é formado por 3,2 bilhões de bases químicas identificadas pelas letras A, T, C e G. Quando uma das letras sai da ordem, é chamado de polimorfismo de nucleotídeo único (SNP) - ou somente snip. A mudança pode significar ter uma proteína defeituosa, que leva ou não ao surgimento de doenças.Os pesquisadores, da companhia de biotecnologia Perlegen Sciences, identificaram 1,58 milhão de snips, a maioria comum entre americanos de ascendências européia, africana e chinesa. A descoberta foi feita com base na análise do DNA de 71 pessoas.A pesquisa genética tem se concentrado em problemas de saúde decorrentes de uma grande mutação em um único gene. Mas doenças como cardiopatias e diabetes são resultado de interações entre mais de um gene e fatores comportamentais e ambientais, quando indicar um "culpado" genético é ainda mais penoso.Os líderes do projeto, David Cox e David Hinds, não identificaram quais snips causam doenças, mas sustentam que o mapa indica qual caminho deve ser seguido dentro da pesquisa genética."Eles também mostram que os snips não variam de forma independente, então a tipagem poderá ser feita entre 200 mil, 300 mil snips, não entre os 1,58 milhão", diz o geneticista Sergio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).Em 2005, o Projeto Internacional HapMap, que mapeia padrões de variações genéticas em 270 pessoas da Nigéria, Japão, China e Estados Unidos, deve apresentar mais resultados.

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