Acidente ambiental em Uberaba triplica preço da água

Um dia depois do acidente que deixou os 250 mil habitantes de Uberaba sem água, o clima entre a população é de expectativa. A prefeitura da cidade recorreu a municípios vizinhos e agora conta com 80 carros-pipa que fazem a distribuição de água recolhida de poços artesianos prioritariamente a hospitais, creches e escolas.Na madrugada desta terça-feira, um trem de carga da Ferrovia Centro-Atlântica descarrilou no km 1.034 da ferrovia na zona rural de Uberaba. O comboio era composto de 18 vagões, dos quais cinco transportavam 245 toneladas de octanol; oito, 381 toneladas de metanol; dois, 94 toneladas de isobutanol, e três, 147 toneladas de cloreto de potássio.O descarrilamento atingiu o Córrego Alegria e depois o Rio Uberaba, que abastece a cidade, obrigando à interrupção da captação de água do município. Os vagões tombaram e pegaram fogo. Um vagão contendo metanol explodiu. Não existe previsão para o término da suspensão do abastecimento. Para o engenheiro civil e comerciante, Cairo Cecílio, ?o transtorno para a população mais carente, que não conta com poço artesiano em casa, será muito grande?.As revendas de água da cidade praticamente triplicaram o preço do líquido engarrafado. Nas escolas, a ordem é proibir a utilização de bebedouros. Muitos pais estão levando água em garrafa para os filhos.O prefeito de Uberaba, Marcos Montes, está em Portugal, onde representa a cidade em uma solenidade, mas antecipou para esta quinta-feira o retorno ao Brasil. O presidente do Codau (Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba), Hugo Bichuetti, explicou que os produtos químicos chegaram à estação de captação de água de Uberaba às 20 horas desta terça-feira e que várias amostras estão sendo retiradas ao longo do rio para saber a extensão da contaminação.?Somente vamos liberar o abastecimento quando tivermos a certeza de que não há riscos para a população?, garantiu Bichuetti. Segundo ele, a cidade produz cerca de 80 milhões de litros de água tratada por dia. ?Não existe qualquer previsão para a volta da normalidade no abastecimento?, finalizou.

Agencia Estado,

11 de junho de 2003 | 16h28

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