Ações pedem reparação por mudanças climáticas em Itaipu

O novo clima da região de Itaipu vai deixar de ser assunto de agricultores e de teses acadêmicas para virar o centro de uma discussão judicial. Desde 1º de outubro, o escritório Studio Legale, de Porto Alegre, comandando pelo advogado César Augusto Gularte de Carvalho, vem entrando com centenas de ações contra a Itaipu Binacional nas varas da Justiça Federal de Curitiba.Cada demanda reúne grupos de oito a dez reclamantes. Ao todo, prevê Carvalho, cerca de 1,2 mil agricultores com terras próximas ao lago vão pedir indenizações por prejuízos provocados por alterações climáticas ocorridas desde a construção da usina.A partir da reclamação, o Studio Legale passou a buscar subsídios para as ações, que vieram sobretudo de dois estudos. Um foi encomendado pelo escritório a professores universitários gaúchos em julho de 2002 e concluído em agosto de 2003. O outro, agregado à argumentação, já existia e havia sido feito pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) sob coordenação da Universidade Federal do Paraná, a pedido da própria Itaipu Binacional.Alterações citadas nas ações, como as do regime dos ventos e aquecimento da temperatura média em quatro graus, teriam causado prejuízos em diversas frentes. ?O excesso de umidade inviabilizou a produção de trigo na região?, conta Carvalho. ?O gado, os suínos e as aves perdem peso e apresentam doenças de pele no verão?. Além disso, o advogado relata mortes freqüentes de animais domésticos, causadas por ataques de cachorros-do-mato e picadas de cobras, que proliferaram nas áreas verdes, que circundam o lago.Alegando não terem sido notificados das ações, os técnicos da Itaipu Binacional não comentam o assunto. ?Não vamos responder sem saber oficialmente o que está colocado?, informa o assessor de imprensa Gilmar Piolla. Apesar disso, a empresa distribuiu uma nota oficial em que diz que não há comprovação de que as alterações microclimáticas da região tenham sido provocadas pelo lago e lembra que elas podem ser atribuídas ao efeito estufa e ao desmatamento desordenado do oeste paranaense.

Agencia Estado,

14 de outubro de 2003 | 19h12

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