Acordo de Bali 'é vitória dos países em desenvolvimento'

Governo brasileiro e ONGs vêem participação do grupo dos 77 como 'histórica'.

Eric Brücher Camara, BBC

15 de dezembro de 2007 | 10h10

Um dia depois da data prevista para o fim da reunião das Nações Unidas sobre mudança climática em Bali, os países em desenvolvimento conquistaram uma "vitória histórica".Essa é a opinião de negociadores e observadores entrevistados pela BBC Brasil, depois das negociações deste sábado, que culminaram com a aprovação de um documento que vai nortear as discussões sobre um novo acordo para o combate ao aquecimento global."A grande liderança mostrada pelo G77 (o grupo que reúne os países em desenvolvimento na convenção da ONU para mudança climática) foi um fato histórico", afirmou o coordenador de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Mauro Armelin.Os momentos decisivos da negociação do "mapa do caminho de Bali"aconteceram na manhã deste sábado, depois de discussões para resolver um impasse entre os Estados Unidos e a União Européia que vararam a madrugada.A pressão dos países em desenvolvimento começou cedo no sábado, quando Índia e China se opuseram à versão do texto que tinha sido apresentada no início da plenária.Depois de conquistar o apoio da União Européia, e com os Estados Unidos isolados como único país a se recusar a participar do consenso, uma série de intervenções de países em desenvolvimento levou a uma reviravolta no processo, com os americanos voltando atrás e aprovando o texto."Foi uma grande vitória dos países em desenvolvimento. O grupo dos 77 fez valer a sua grande maioria", afirmou o negociador-chefe do Brasil, embaixador Everton Vargas.Na análise da organização ambientalista Greenpeace, o governo de George W. Bush "foi humilhado" pelos países em desenvolvimento."A administração Bush levou uma lição de humildade e foi envergonhada pela firme decisão dos países em desenvolvimento - China, Índia, Brasil, África do Sul - que vieram a Bali com propostas concretas para dar a sua participação nos esforços globais contra o aquecimento global", disse Ailun Yang, do Greenpeace chinês.Logo no início da sessão, China e Índia apresentaram uma objeção à introdução do documento, que previa reduções de emissões de gases poluentes que "poderiam comprometer o crescimento dos países em desenvolvimento".Depois de uma longa pausa na plenária, o presidente da Indonésia, anfitrião do encontro, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, discursaram, lembrando os participantes das responsabilidades e da visibilidade das decisões que seriam tomadas em Bali.Em seguida, a chefe da delegação dos Estados Unidos, Paula Dobriansky, afirmou que não aceitaria qualquer mudança no texto - e foi vaiada por grande parte do auditório, que reunia representantes de cerca de 190 países.O que se seguiu, foi uma série de discursos de representantes, entre eles um duro recado do representante sul-africano. Logo depois, Dobriansky voltou a pedir a palavra e capitulou:"Vamos seguir em frente e nos juntar ao consenso", disse Dobriansky, arrancando aplausos da plenária.O que se seguiu foram cenas de emoção raramente vistas em reuniões da ONU, com aplausos e delegações se abraçando em comemoração por um acordo que tem o potencial de determinar o futuro do planeta.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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