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Acordo sobre CO2 enfrenta 'diferenças fundamentais', diz ONU

Representante do Pnuma disse que principal avanço foi a franqueza e o realismo das conversas na Itália

AP e EFE,

24 de abril de 2009 | 14h21

Uma importante autoridade das Nações Unidas disse nesta sexta-feira, 24, que diferenças fundamentais ainda separam os países na negociação de um novo acordo sobre as emissões de carbono, e se declarou preocupado com a possibilidade de que essas discordâncias possam ser resolvidas.

 

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O diretor-executivo do Programa das nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, disse que as discussões realizadas na  cidade italiana de Siracusa estão entre as "mais francas" que já viu, com foco em pontos salientes "onde diferenças fundamentais continuam sem ser superadas".

 

O evento em Siracusa, que reúne ministros do Grupo dos Oito e de economias emergentes, terminou depois de três dias sem nenhum grande avanço em um compromisso para enfrentar a mudança climática. Mas delegados dizem ter identificado as principais dificuldades a serem superadas em futuras negociações, e destacaram a necessidade de tornar os pacotes de recuperação econômica mais ambientalmente corretos.

 

Também foi assinada uma carta sobre a necessidade de levar a biodiversidade em consideração.

A reunião, na cidade da Sicília, tinha como objetivo preparar as bases para a conferência crucial sobre mudança climática prevista para ocorrer em dezembro, em Copenhague. A reunião na Dinamarca tem por objetivo criar um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

 

Os pontos salientes identificados pelos delegados são metas de curto, médio e longo prazo para a redução de emissões e que tipo de financiamento e de estrutura de administração deverão ser implementados para acompanhar e viabilizar o cumprimento do novo acordo, disse a ministra italiana do Meio Ambiente, Stefania Prestigiacomo.

 

"Parto de Siracusa muito preocupado que ainda não haja um caminho claro para resolver as lacunas que restam", disse Steiner, referindo-se a essas lacunas como "significativas".

 

Ele disse a jornalistas que um sinal positivo foi que o realismo - o reconhecimento de que o tempo está acabando - está estabelecido e que há "menos troca de acusações e, talvez, mais reflexão".

 

Os países discutiram quanto precisam reduzir em siás emissões e como transferir dinheiro e tecnologia para os países pobres que estão mais vulneráveis aos fenômenos climáticos.

 

Delegados de grupos não-governamentais presentes em Siracusa disseram que um grande problema foi a relutância dos países em apresentar propostas específicas.

 

"As negociações estão paralisadas por um tipo de 'síndrome do primeiro passo'", disse a Oxfam Internacional. "Nenhum país está disposto a se comprometer, a menos que os outros façam o mesmo".

 

Segundo a agência, a reunião termina com "muitas afirmações de princípio,mas nenhum compromisso claro ou mensurável".

 

Brasil

 

O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pediu aos membros do Grupo dos Oito que reduzam suas emissões de dióxido de carbono em 20% até 2017 e em 25% até 2022.

 

Minc pediu aos países desenvolvidos "maior empenho" dos países desenvolvidos contra a mudança climática, durante o ato de encerramento da reunião.

 

Além dos países do G8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Rússia e Canadá, além da anfitriã, Itália), participaram como convidados Brasil, China, Índia, México, Indonésia, África do Sul, Austrália, Coreia do Sul e Egito.

 

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