Acordos reabrem cavernas ao ecoturismo

Quatro Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) foram assinados no último fim de semana, entre representantes do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Cecav-Ibama) e proprietários das terras, onde estão localizadas cavernas do Mato Grosso do Sul, liberando-as para o ecoturismo. As cavernas são Mimoso e São Miguel, no município de Bonito, e Buraco das Araras e Lagoa Misteriosa, no município de Jardim. Outros TACs estão em andamento e devem ser assinados ainda no primeiro semestre, em 15 cavernas da Chapada Diamantina, na Bahia. Também foi renovada a licença de funcionamento do Abismo Anhumas, em Bonito, MS, a primeira caverna a ser licenciada, em julho de 2001, com avaliação bastante positiva. "Estamos criando um referencial para trabalhar ecoturismo em cavernas no Brasil", conta Ricardo Marra, diretor do Cecav. "Em Bonito, estabelecemos uma unidade do Cecav, o que nos permitiu acompanhar de perto os acordos e monitorar o acesso e uso das cavernas".Com os acordos deste fim de semana, os proprietários já puderam reabrir as cavernas ao ecoturismo, após quase dois anos de interdição. Eles receberão parte da receita dos ingressos, dividida com agências de turismo e guias. Um porcentual variável também será encaminhado ao Ibama, para investimento em pesquisas espeleológicas. Os proprietários apresentaram planos de manejo provisórios, dentro da nova legislação de proteção às cavernas, que serão reavaliados dentro de um ano e novamente ajustados conforme os estudos e avaliações de capacidade de suporte e tipo de visitação. Por se tratarem de ambientes muito específicos, com uma fauna única e condições de temperatura e umidade muito constantes, as cavernas precisam destas regras especiais de uso e proteção. Mesmo controladas, para não haver depredações, as visitas turísticas precisam ser adequadas às características de cada caverna, conforme um plano de manejo individual, de modo a evitar pisoteio, degradação devido a dejetos ou problemas causados pelo excesso de gás carbônico, proveniente da respiração dos visitantes, entre outros.Os TACs determinam número de visitantes, traçado de trilhas e a colocação de cabos-guia, no caso das cavernas visitadas apenas por baixo d´água, como é o caso da Mimoso e Lagoa Misteriosa. "Estes primeiros acordos devem servir de exemplo para outras cavernas e é importante que sejam seguidos à risca pelos proprietários e agências de turismo, não porque eles podem perder a licença daqui um ano, mas para permitir a correta avaliação da melhor forma de visitação", diz José Antônio Scaleante, presidente da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Segundo ele, as regras não são rígidas e poderão ser alteradas na próxima reavaliação, se houver justificativas técnicas e/ou alternativas melhores, levando sempre em consideração a preservação das cavidades.A caverna de São Miguel é seca, decorada com espeleotemas (ou formações derivadas do acúmulo de minerais e, em geral, moldadas pela água ao longo dos anos) e a visitação é feita por trilhas. Mimoso e Lagoa Misteriosa são inundadas e a visita é apenas para mergulhadores, acompanhados de guia cadastrado, após a colocação dos cabos-guia. Em Mimoso, é possível percorrer cerca de 300 metros debaixo d´água, enquanto na Lagoa Misteriosa a atração é um poço profundo, com condutos laterais. Até hoje não se sabe a profundidade do poço: o mergulhador que mais desceu, chegou a 200 metros e não viu sinais do fundo. Já o Buraco das Araras é um afundamento em um paredão de arenito, com água embaixo. A visitação é feita por meio de cordas (rapel) e no entorno, onde podem ser observadas as araras, que vivem nos paredões.

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2002 | 22h47

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