Acusações incluem desmatamento em causa própria

Entre as denúncias que alinhavam para compor o quadro que definem como "a herança de Trípoli", os ambientalistas acusam o ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo de forjar os termos de uma licença, emitida pela própria Secretaria do Meio Ambiente, para realizar a retirada de árvores em área da Mata Atlântica, dentro de uma chácara do próprio secretário, no condomínio Sítio Iporanga, em Guarujá, litoral paulista. A chácara, de 1680 metros quadrados, foi adquirida por Ricardo Trípoli, em 99, por R$ 390 mil. O processo de regularização do condomínio, por sua localização em Mata Atlântica, ainda não estava concluído, quando a licença foi emitida.Árvores derrubadasA área é coberta por vegetação de floresta Alta de Restinga, em estágio médio degradado, e seu desmatamento é proibido pela legislação. Trípoli encaminhou pessoalmente a solicitação como se fosse para "transplante de árvores". A autorização foi concedida em janeiro de 2001, cerca de 20 árvores frondosas foram retiradas para que o secretário construísse no local uma casa com piscina. ?Denúncia requentada?O ex-secretário garante que a retirada das árvores foi absolutamente legal. "Esta denúncia é antiga, requentada, sempre tiram da gaveta quando querem me acusar de alguma coisa. Mas já foi analisada pelo Ministério Público, que me inocentou", afirma ele. "O Iporanga é um dos condomínios que mais respeitam o meio ambiente naquela região e é reconhecido até pela SOS Mata Atlântica."A história do condomínio de luxo Iporanga é controvertida. Instalado em área de preservação, teve sua ampliação embargada e foi alvo de uma Ação Civil Pública, na segunda metade dos anos 90, por impedir o acesso de banhistas às praias. A partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado junto ao Ministério Público, o condomínio se comprometeu a criar pequenas reservas em seu entorno e a garantir o acesso público à praia, como determina a legislação brasileira. Nova açãoAtualmente, uma nova Ação Civil Pública, movida por entidades ambientalistas da Baixada Santista, está correndo na 3ª Vara Cível de Justiça do Guarujá contra o TAC. "Obtivemos uma liminar que cancela os efeitos do tal termo. A destruição causada pela implantação irregular deste condomínio é muito grande. Se ainda construírem as 28 mansões previstas no acordo, o estrago será gigantesco", diz Elson Maceió, do Coletivo Alternativa Verde.

Agencia Estado,

06 de junho de 2002 | 00h04

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