Adaptação ao efeito estufa custará US$ 50 bi ao ano, diz ONG

A proposta é financiar o processo de adaptação com receitas da compra e venda de direitos de emissões

EFE e AP,

02 de dezembro de 2008 | 14h40

A organização humanitária Oxfam divulgou um relatório em que estima um gasto de pelo menos US$ 50 bilhões por ano para financiar a adaptação dos países em vias de desenvolvimento à mudança climática - valor que aumentará se o aquecimento global for superior a dois graus.    Crise pode prejudicar atualização do Protocolo de Kyoto   Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia  Desmatar para produzir biocombustível piora clima, diz estudo Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono      O documento foi mostrado durante a Conferência das Nações Unidas para a Mudança Climática (UNFCCC, em inglês), que vai até o próximo dia 12 na cidade polonesa de Poznan e que reúne representantes de mais de 190 países.   "Ajudar os mais vulneráveis a lutar contra os efeitos da mudança climática é uma necessidade inegável, já que eles também enfrentam as cada vez mais graves conseqüências do fenômeno", afirmou Heather Coleman, autora do relatório.   A proposta da organização é financiar este processo de adaptação através das receitas derivadas da compra e venda de direitos de emissões a partir de 2012.   A Oxfam quer um leilão de 7,5% destes direitos em vez de entregá-los gratuitamente aos países. Com isso, segundo seus cálculos, seria possível gerar mais de US$ 50 bilhões por ano em 2015.   "Com a propagação de uma crise econômica mundial, estes mecanismos contribuiriam para obtermos dinheiro suficiente dos países mais poluentes sem ter de recorrer aos órgãos públicos", afirmou.   Para a Oxfam, o procedimento garantiria que os países com taxas de emissão mais altas - e mais poder econômico - assumam a maior parte das obrigações para auxiliar as nações menos desenvolvidas.   "Os países negociadores concordam que esta é uma das soluções mais práticas, já que gera e investe bilhões de dólares para evitar o avanço da mudança climática, além de ajudar os mais pobres na adaptação às negativas conseqüências do aquecimento global", apontou.   Na sua opinião, o dinheiro pode ser aplicado em um novo mecanismo multilateral para financiar a adaptação.   Ainda segundo a Oxfam, mecanismos de financiamento extras nos setores de transporte marítimo e aéreo poderiam gerar outros US$ 28 bilhões (US$ 16,6 e US$ 12 bilhões anuais, respectivamente) nos países mais ricos.   Desapontados   A reunião em Poznan é fundamental para que seja acertado um planejamento com o objetivo de assinar, no ano que vem, um protocolo de redução de emissão de gases que entre em vigor após 2012, quando termina a vigência do Protocolo de Kyoto. Nesta terça-feira, no entanto, grupos ambientalistas declararam-se desapontados com alguns dos países mais ricos do mundo, por se recusarem a assumir compromissos significativos na reunião.   Alguns culpam o presidente em fim de mandato dos Estados Unidos, George W. Bush, dizendo que seu governo está bloqueando progressos na conferência. Savio Carvalho, da Oxfam, disse que uma aliança de grupos ambientalistas estava "muito desapontada" com os países industrializados, como os EUA, e produtores de petróleo, como a Arábia Saudita.   Mas o responsável pela questão climática na ONU, Yvo de Boer, declarou-se feliz com o progresso das conversações.

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