Agricultores protestam contra unidades de conservação

Aproximadamente 500 produtores rurais, pecuaristas, mineradores e proprietários de areais da regiãodos Campos Gerais do Paraná fizeram uma manifestação na manhã desta terça-feira em Ponta Grossa, a cerca de 130 quilômetros de Curitiba, e à tarde, na capital do Estado. Eles protestam contra o Ministério do Meio Ambiente, que pretende desapropriar no Paraná pouco mais de 96 mil hectares para a criação de cinco unidades de conservação da Mata Atlântica. O governo do Estado declarou-se totalmente favorável à criação das unidades."A nossa grande preocupação é que as áreas atingidas são produtivas", reclamou o coordenador da Câmara de Agricultura e Pecuária do Conselho de Desenvolvimento de Ponta Grossa, Douglas Taques Fonseca. "Tudo foi feito às escuras, às pressas, sem discussão, sem audiência pública". Segundo ele, a própria existência de áreas para se criar unidades de conservação é prova de que os proprietários daquelas terras sempre preservaram a natureza. "Não se pode prejudicar quemcuidou até agora", argumentou. Os manifestantes alegam ainda que pelo menos 30 mil pessoas perderão os empregos.Em uma nota da assessoria de imprensa, o Ministério do Meio Ambiente informou que foram realizadas oito consultas públicas nos estados do Paraná e Santa Catarina. "A definição dos locais para a implantação das unidades de conservação foi baseada em estudos decampo, realizados por uma força-tarefa, coordenada pelo MMA e pelo Ibama, formada por especialistas em diferentes áreas, representando os três níveis de governo, universidades e organizações não governamentais", diz a nota.Ao chegar em Curitiba o grupo encontrou cerca de 300 universitários e ambientalistas em frente ao Palácio Iguaçu, manifestando apoio às unidades de conservação. Houve muito insulto de ambas as partes, mas nenhum grupo ousou ultrapassar o espelho de água que osseparava. O governador Roberto Requião (PMDB) esteve reunido com o secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco, e não recebeu os manifestantes."O governo do Estado entende que um meio ambiente em equilíbrio é também condição fundamental para aumento de produção", disse o secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. Segundo ele, metade dos cerca de 96 mil hectares já tem proibição paraprodução em razão de serem áreas públicas, de proteção ambiental ou reservas legais. E em algumas não será eliminada de toda a produção agrícola ou madeireira. "O que há é uma clara falta de esclarecimento", ponderou. Para ele, não é verdade que 30 mil pessoas ficarão desempregadas em Ponta Grossa. "As desapropriações ali abrangem só 30 propriedades", justificou. O Parque - Pelo projeto, o Parque Nacional dos Campos Gerais, que engloba áreas em Ponta Grossa, Castro e Carambeí, terá 21.749 hectares. A Reserva Biológica das Araucárias terá 16.075 hectares entre os municípios de Teixeira Soares, Imbituva e Ipiranga. Com 31.700 hectares, oRefúgio da Vida Silvestre do Rio Tibagi estende-se por Ponta Grossa, Palmeira, Imbituva, Teixeira Soares e Ipiranga.Na região sul do Estado está prevista a criação da Reserva Biológica das Perobas, entre Tuneiras do Oeste e Cianorte, com 11 mil hectares; e no sul, o Refúgio da Vida Silvestre dos Campos de Palmas, com 16.445 hectares nos municípios de Palmas e General Carneiro.

Agencia Estado,

10 de maio de 2005 | 19h12

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.