Água potável vai escassear em SP em 2020

Mantidos os atuais níveis de desperdício e degradação, São Paulo pode chegar a 2020 sem água para beber. O alerta foi dado, nesta terça-feira, pelo professor Aldo Rebouças, pesquisador associado do Instituto de Estudos Avançados da USP, durante a palestra Água - Recurso Natural Estratégico do 3.º Milênio, realizada na Escola Superior de Guerra (ESG).Para Rebouças, não há escassez de água, mas mau gerenciamento e ineficiência no uso. ?São Paulo não terá água para beber. Se houvesse uso racional, não faltaria água no mundo?, afirmou o professor. Rebouças afirma que de nada adiantará gastar bilhões de dólares na tentativa de recuperar o Rio Tietê se ele continuar servindo de receptor de esgotos não tratados e detritos industriais.Atualmente, a contaminação no rio se estende por 220 quilômetros, desde a capital até Barra Bonita. ?Toda a população que vive às margens do Tietê nesse trecho está condenada a não ter água para tomar banho, beber e pescar.? O problema anunciado pelo pesquisador afetará a região mais desenvolvida de São Paulo, o norte e o leste do Estado, de Ribeirão Preto à capital.O secretário nacional de Recursos Hídricos, Raymundo Garrido, também participou do evento e admitiu que todos os rios e lagos localizados perto das médias e grandes cidades brasileiras estão poluídos. O Brasil é o País mais rico em recursos hídricos, à frente dos Estados Unidos, do Canadá e da China. Mas isso não servirá de nada se não souber administrá-los, diz Rebouças.?Ter água é um fator competitivo no mercado. A escassez é uma ficção política. As regiões consideradas pobres em água no Brasil hoje têm doenças associadas ao excesso de água. O que falta é competência.? A contradição, diz o pesquisador, se dá porque a metodologia da Organização das Nações Unidas (ONU) para definir a escassez de água não seria correta. ?É a tal da burrice tecnocrata. Nenhum Estado brasileiro consome mais de 8% da água disponível.?Como exemplo da má gerência brasileira dos recursos hídricos, Rebouças cita casos de navios estrangeiros que trazem petróleo para o País e voltam carregados de água da região amazônica sem pagar nada por isso. Já o Canadá, afirma ele, negocia bônus de água ? os Blue Waters ? na bolsa de Chicago, e vende o recurso para o Kwait, país com maior escassez de água no mundo. ?Hoje, os navios entram com petróleo em Manaus e levam água de graça, contrabandeada do Amazonas?, diz o professor.

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