Aids cresce entre mulheres e negros no Brasil

O Brasil registra uma tendência de aumento de número de casos de aids em todas as regiões do País, com exceção dos Estados do Sudeste. Esse crescimento se verifica principalmente entre o grupo feminino, população negra e entre pessoas com menor nível de escolaridade, de acordo com o novo boletim da epidemia, divulgado pelo Programa Nacional de DST-Aids. "A população mais vulnerável à doença é aquela que tem menor estudo, menos acesso à informação", resume o coordenador do programa, Pedro Chequer.Pela primeira vez, o boletim epidemiológico traz informações sobre raça e cor. Os dados começaram a ser preenchidos desde 2000 e, desde então, registra-se uma redução das informações incompletas, um aumento do número de casos entre a população negra e parda, mas apenas entre o grupo feminino. Entre a população masculina, os números permanecem estáveis. Mas, para Chequer, os números apresentados são suficientes para demonstrar uma tendência de aumento de casos entre a população negra. "Não há nenhuma relação entre a raça e a doença. Mas hoje, por condições sociais, parte da população negra ainda tem maiores dificuldades de acesso a escolaridade, o que a torna mais vulnerável", afirma Chequer. Ele avalia ainda que a epidemia de aids entre o grupo negro é maior do que a captada pelos dados epidemiológicos. "Certamente ainda há subnotificações", constata. Uma revisão da técnica epidemiológica fez com que o sistema captasse 41 mil casos, que ainda não haviam sido notificados nos últimos anos. Com essa mudança, o número de casos da doença desde 1980 passou de 321.631 para 362.364 casos. Em 2003, foram registrados 32.247 pacientes contaminados por HIV. Chequer estima que hoje existam cerca de 600 mil pessoas vivendo com HIV. Para o coordenador do programa, a análise do boletim traz três constatações básicas: é preciso criar trabalhos de prevenção dirigidos à população negra e intensificar as ações voltadas para mulheres. Uma série de medidas devem ser tomadas também para tentar reduzir a velocidade com que a epidemia cresce tanto na região Norte quanto no Sul.

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