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Técnica de edição de genes elimina HIV em estudo com animais

Pesquisa conseguiu pela primeira vez extirpar o vírus latente em células imune humanas implantadas em camundongos

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2017 | 13h29

Trabalhando com técnicas de edição de genes, pesquisadores nos Estados Unidos conseguiram extirpar o DNA do vírus da aids (o HIV) do genoma de animais vivos infectados, evitando infecções futuras. O trabalho, publicado na quarta-feira, 3, na revista científica Molecular Therapy, traz pistas para que o mesmo possa ser tentado em humanos.

Um dos maiores desafios na busca por uma cura da aids é que o vírus é capaz de se esconder em reservatórios latentes dentro do corpo, ficando imunes aos tratamentos com terapias antivirais combinadas. Hoje, o tratamento com esses medicamentos consegue evitar a mortalidade e a morbidade em milhões de pessoas que passam a conviver com o HIV, e muitas chegam a ter uma profunda supressão da viremia, mas isso é insuficiente para conseguir a cura.

Na nova pesquisa, cientistas da Escola de Medicina Lewis Katz da Universidade Temple e da Universidade de Pittsburgh aplicaram em três diferentes modelos animais vivos uma técnica conhecida como CRISPR/Cas9, que pode ser programada para localizar alvos específicos e alterar seu código genético.

Em camundongos infectados com o chamado EcoHIV, equivalente para o animal do HIV-1 humanos, os pesquisadores investigaram a capacidade da técnica de bloquear a replicação viral e o potencial de prevenir a infecção sistêmica. A eficiência de extirpação da estratégia foi de 96% no EcoHIV, de acordo com os autores, liderados por Wenhui Hu e Kamel Khalili.

Em outro modelo, camundongos chamado de “humanizados” – por terem recebido transplante de células imunes humanas T, foram infectados com HIV-1 e submetidos ao tratamento. Em comunicado distribuído à imprensa pela Temple, Hu explica que estes animais carregavam o HIV latente no genoma das células humanas T, escapando da detecção. Com o tratamento, fragmentos do vírus foram eliminados dessas células e dos tecidos e órgãos do animal.

O trabalho, porém, apesar de ter evoluído de “in vitro” para “in vivo” ainda é muito inicial. “O próximo passo seria repetir o estudo em primatas – modelos mais próximos do ser humano, onde a infecção pelo HIV resulta em doença, para demonstrar se a técnica teria o mesmo efeito de eliminar os vírus escondidos nas células T ou em outros esconderijos, como células do cérebro” disse Khalili no comunicado à imprensa. Só depois disso poderiam ser iniciados testes em humanos.

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