Aids tem contaminação recorde: 40,3 milhões em 2005

O número de portadores do vírus HIV no mundo bateu recorde em 2005, com 40,3 milhões de infectados, dos quais cerca de 5 milhões contraíram aids neste ano, informou nesta segunda-feira a ONU, com a publicação do relatório do Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).O número de infectados pelo HIV aumentou no mundo todo, "exceto no Caribe, onde, embora sendo a segunda região mais afetada do mundo, a prevalência do HIV não se alterou em 2005 em comparação com os dois anos anteriores". O relatório destaca que, "apesar das recentes melhorias no acesso ao tratamento com anti-retrovirais em muitas regiões do mundo, em 2005 a aids matou 3,1 milhões de pessoas, entre elas 570 mil crianças".O relatório cita o Brasil - junto com a Espanha - pela redução da incidência da doença em consumidores de drogas intravenosas". O Brasil tem cerca de 30% dos soropositivos da América Latina, e divide com a Argentina e a Colômbia a liderança em incidência da doença, por causa de suas populações maiores.Na América Latina, 200 mil pessoas contraíram aids neste ano, elevando para 1,8 milhão o número de casos. O estudo calcula que 66 mil pessoas morreram em 2005 na região. A maior concentração de soropositivos está em nações pequenas, como Guatemala, Honduras e Belize, onde cerca de 1% da população adulta está infectada pelo HIV.Sexo e drogasNa América Latina, "a epidemia é alimentada pela combinação de relações sexuais sem proteção, tanto entre homossexuais como entre heterossexuais, e o consumo de drogas intravenosas", segundo o relatório.Os especialistas advertem que "a transmissão do HIV nas relações sexuais entre homossexuais é um fator mais importante do que normalmente se reconhece". Em quase todos os países da região os níveis mais altos de infecção correspondem a esse grupo, em que a prevalência da doença vai de 2% até 28%, segundo o país.Calcula-se que entre 25% e 35% dos casos de aids notificados na Argentina, Brasil, Bolívia, Guatemala e Peru correspondem aos homossexuais.Mas os especialistas afirmam que, na Argentina, a maioria das novas infecções ocorreu durante relações heterossexuais sem proteção, o que explica o aumento do número de mulheres infectadas pelo HIV.Urbano x ruralO consumo de drogas intravenosas e as relações homossexuais continuam estimulando a propagação da doença na Argentina, principalmente nas áreas urbanas de Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé, onde ocorreram cerca de 80% dos casos, segundo os especialistas do Unaids.No Chile e no Uruguai as infecções também se concentram em áreas urbanas, com o consumo de drogas intravenosas e as relações homossexuais como os fatores mais importantes entre os uruguaios. Mas, segundo o relatório, a epidemia conseguiu entrar nos últimos anos em áreas rurais do Paraguai fronteiriças com a Argentina e o Brasil.Na região andina, as relações sexuais pagas, sem proteção, e as relações homossexuais representam as principais vias de propagação do HIV, "mas, à medida que aumenta o número de homens que transmitem o vírus a suas esposas ou namoradas, as vias de transmissão se diversificam", alertaram os especialistas.CaribeEnquanto isso, o Caribe aparece como a segunda região mais afetada do mundo, embora as diferenças entre os países sejam notáveis, com uma prevalência superior a 3% no Haiti frente a menos de 0,2% em Cuba.O alcance da epidemia é menor em Barbados, República Dominicana, Jamaica e Suriname, com uma prevalência de 1%, enquanto nas Bahamas, na Guiana e em Trinidad e Tobago é de 2%.A região tem cerca de 300 mil infectados, com 30 mil novos casos em 2005. Cerca de 20 mil pessoas morreram em conseqüência da epidemia em 2004.Das infecções informadas às autoridades médicas da região, só 12% são atribuídas a relações homossexuais, "mas a proporção pode ser mais alta" devido aos fortes tabus socioculturais que estigmatizam esse comportamento.O consumo de drogas intravenosas contribui de forma significativa para a propagação do HIV somente em Bermudas e Porto Rico.  leia também  África tem 75% dos doentes com aids no mundo     Remédios evitaram 350 mil mortes por aids  

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