Alcatrazes, na mira dos fotógrafos

O Arquipélago de Alcatrazes é o maior ninhal de aves marinhas do sudeste brasileiro e o terceiro ambiente insular em concentração de espécies únicas da fauna terrestre, na América do Sul, sendo precedido apenas por Galápagos (Equador) e Ilha Margarida (Venezuela). Existem pelo menos 16 espécies da fauna e 3 da flora, que são exclusivas deste conjunto de ilhas e rochedos, localizado no litoral norte de São Paulo. O arquipélago abriga também seis espécies de aves da Mata Atlântica, duas aves marinhas residentes (nidificam nos rochedos) e três aves migratórias, além de servir de refúgio para baleias-de-Bryde, golfinhos pintados, 150 espécies de peixes e cinco tartarugas marinhas. Várias destas espécies estão na lista de ameaçados de extinção e é possível que ainda existam novas espécies ainda desconhecidas dos cientistas. Estes são alguns dos dados reunidos pelo Projeto Alcatrazes, que, a partir de amanhã (13/5) e até o próximo dia 14 de junho, mostra ao público um pouco dos 14 anos de pesquisas realizadas no arquipélago, através de uma exposição fotográfica, no Espaço Cultural Cristal, na capital paulista. O coquetel de abertura é hoje (12/5), a partir das 20:30 horas. Organizada por Wilson Langeani Filho, com curadoria de Maristela Colucci e Roberto Bandeira e patrocínio da Fotolab Laboratorio Fotográfico, a mostra inclui 40 painéis de 70x90cm e legendas explicativas sobre o projeto. Além de fotos dos organizadores, há imagens de A.C. D´Ávila, Fausto Pires de Campos e Tchô Moioli. A exposição conta com o apoio do Projeto Tamar/Petrobrás, Ibama/MMA (Estação Ecológica Tupinambás), Ópera Marketing e W. Teixeira Com. Impressa,Parque x tiro ao alvo O Projeto Alcatrazes foi criado em 1989, com apoio da organização não-governamental Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro (SDLB). Gradualmente, passou a contar também com pesquisadores do Instituto Butantan e Projeto Tamar. O objetivo inicial ? justificar a criação de um Parque Nacional no local ? permanece, mas a relação com a Marinha do Brasil evoluiu. Embora ainda sejam realizados treinamentos de tiro no Saco do Funil, um acordo recente, celebrado no início deste ano, garante ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o direito de realizar diligências para fiscalização sem pedir autorização para a Marinha. Esta também não pode mais emitir salvo-condutos para barcos de terceiros. O controle das expedições de pesquisa e viagens de mergulho passa a ser afeto ao Ibama, responsável desde 1987 pela Estação Ecológica Tupinambás, que abrange uma parcela de Alcatrazes livre dos exercícios de tiro.Os pesquisadores do projeto recentemente entregaram um novo memorial ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), propondo a criação de um parque marinho, no entorno das ilhas, preservando a figura da Estação Ecológica na parte terrestre. Deste modo, poderia ser regulamentado e controlado o turismo ecológico, com a realização de atividades de mergulho, fotografia ou observação e mesmo caça submarina ou pesca, de acordo com um plano de manejo e com fiscalização rigorosa. ?Há locais, como a Baía do Oratório, que devem permanecer fechados ao público, pois são importantes para as tartarugas?, comenta Wilson Langeani Filho. ?Mas o mergulho contemplativo pode ser liberado, por exemplo, na Ilha do Farol, uma vez estabelecido um máximo de embarcações por dia, e até a caça submarina pode ser praticada em locais como o Parcel do Sueste?.Serviço: Mostra fotográfica "PROJETO ALCATRAZES"Local: Espaço Cultural Cristal, R. Prof. Arthur Ramos, 551, Jardim Paulistano, São PauloTelefone: (11) 3031 0828Horário: 13 de maio a 14 de junho de 2003, de 2a a 5a, das 19h à 1h; 6a, sábado e domingo, das 19h ao último cliente.Entrada francaVeja uma amostra da exposição no portal da Agência Estado (http://www.estadao.com.br/ciencia)

Agencia Estado,

12 de maio de 2003 | 17h35

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