Alerta em Roraima contra incêndios

No auge de sua estação seca, o estado de Roraima recebe reforços, a partir desta semana, para o combate ao fogo em campos e florestas. De acordo com os dados do satélite NOAA, nas três primeiras semanas de janeiro foram registrados 196 pontos de fogo em todo o estado, com as maiores concentrações a leste de Caracaraí e ao norte de Boa Vista.Cerca de 230 brigadistas voluntários e bombeiros, treinados desde o grande incêndio de 1998, estarão em estado de alerta até março, quando normalmente tem início a estação das chuvas. O Ibama deslocou aviões para lá e coordena cursos de treinamento e campanhas educativas locais. O órgão federal deve autorizar queimas comunitárias apenas até 15 de fevereiro, podendo suspender as autorizações caso a umidade do ar fique excessivamente baixa. Estas queimas comunitárias são feitas de forma controlada e conjunta por grupos de agricultores ou pecuaristas e em condições meteorológicas favoráveis à contenção do fogo dentro dos limites das áreas agropecuárias (dias sem vento), com acompanhamento dos fiscais. Boletins meteorológicos especiais apoiam a equipe, que emite as autorizações.Nesta estação seca, o Ibama ainda deve contar com novos equipamentos do Serviço Florestal norte- americano, que serão testados em fevereiro, com a vinda de um avião da agência espacial (NASA). Câmeras digitais e outros equipamentos, testados pela primeira vez em novembro de 2001, no Havaí, deverão enviar imagens de alta resolução, em tempo real, às centrais de comando, para orientação das estratégias de combate ao fogo. Se tudo correr bem, sistemas semelhantes podem ser instalados em aviões brasileiros e num satélite a ser lançado até 2003.Apesar de toda a mobilização, de acordo com o serviço de alerta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início de janeiro já foram detectados 49 focos de fogo na área indígena Raposa Serra do Sol e 35 na área indígena São Marcos, duas zonas de conflitos crônicos entre índios e fazendeiros. Outras terras indígenas com focos de incêndio foram Mano-Pium (2 focos), Ouro (2 focos), Boquerão, Aracá, Serra da Moça, Trombetas-Amapuera, Malacacheta e Yanomami, cada uma com 1 foco.Entre as unidades de conservação, a que mereceu maior atenção foi a Estação Ecológica de Maracá (que registrou 11 focos de incêndio na madrugada do dia 23 de janeiro), a Estação Ecológica de Caracaraí e a Floresta Nacional de Roraima (com um foco cada).Este serviço de alerta do Inpe é centrado nos registros de fogo dentro do perímetro de unidades de conservação e terras indígenas demarcadas e serve de base para boletins diários, enviados ao Ibama e autoridades locais. Diferentemente do registro geral de queimadas, estes casos são considerados fora de controle, sobretudo nas unidades de conservação, onde não deveria haver nenhum foco. Nas áreas indígenas, os focos podem indicar o uso do fogo como instrumento agrícola, como nos mapas gerais, ou incêndios criminosos, associados aos conflitos e, portanto, pedem uma verificação in loco.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2002 | 14h46

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