Alertas e manifestações marcam Dia contra Incineração

O Dia Mundial de Ação contra a Incineração mobilizou pelo menos 235 entidades ambientalistas de 62 países, que lançaram alertas e fizeram manifestações contra a queima de resíduos sólidos. A incineração é uma tecnologia considerada insustentável e obsoleta, devido aos sérios impactos sobre a saúde - humana e animal - e meio ambiente. Ao serem incinerados, os resíduos tóxicos diminuem de volume, mas não deixam de poluir. Ao contrário, substâncias químicas altamente nocivas são emitidas. Entre elas estão dioxinas, furanos e bifenis policlorinados (PCBs), todas genericamente chamadas de Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs).De acordo com a Aliança Global Anti-Incineração (Gaia), pelo menos 300 incineradores planejados ou em operação, nos Estados Unidos, deixaram de ser instalados ou pararam de funcionar, nos últimos 15 anos, em função de manifestações e esclarecimentos à população sobre os danos decorrentes de seu funcionamento. No Japão, o país onde esta tecnologia é muito empregada, a pressão popular está aumentando e já são 500 incineradores fechados. Em Moçambique, uma das primeiras entidades ambientalistas, que se consolidou após a guerra civil, surgiu justamente para lutar contra a instalação de um incinerador de pesticidas numa fábrica de cimento. Outros 15 países já aprovaram leis de banimento parcial da incineração e as Filipinas a baniram totalmente. Estes dados estão na publicação Waste Incineration: A Dying Technology (Incineração de Resíduos: Uma Tecnologia Agonizante), lançada hoje pela Gaia.No Brasil, algumas unidades foram fechadas por operar muito abaixo de qualquer padrão - caso do Incinerador Vergueiro, na cidade de São Paulo - mas ainda não há leis nacionais de controle ou banimento e muitas prefeituras consideram novas instalações, como alternativa à construção de aterros sanitários apropriados para resíduos tóxicos ou mesmo para os resíduos domésticos, que contêm substâncias perigosas. "A expectativa era banir a incineração no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas o projeto de lei está parado há muito tempo no Congresso", diz John Butcher, do Greenpeace. "Talvez a opção agora seja considerar uma lei específica, que possa ser apreciada mais rapidamente". O Greenpeace lembrou o Dia Mundial contra a Incineração com a divulgação de alguns alertas, assim como fez a Associação de Combate aos POPs (ACPO). As duas entidades preparam campanhas específicas de conscientização.As dioxinas e demais POPs, emitidos a partir da incineração de lixo, são cancerígenos e causam danos ao sistema imunológico e reprodutivo. Uma vez liberados no ambiente, sofrem processo de bioacumulação, concentrando-se no organismo das espécies do topo da cadeia alimentar, entre as quais está o homem. Incineradores também liberam metais pesados, como mercúrio, cádmio, chumbo e cromo. Mesmo quando os sistemas de filtragem dos gases existem e funcionam, as cinzas resultantes da incineração concentram as substâncias tóxicas e demandam deposição controlada, porque também oferecem alto risco.Como opção à incineração, o estudo da Gaia sugere políticas de redução na produção industrial de resíduos; reformas dos processos industriais, visando à utilização de embalagens e produtos mais recicláveis; e ênfase na coleta seletiva e separação de resíduos na origem, também para facilitar a reciclagem. Esses princípios de precaução e de promoção de mudanças nos processos industriais visando à redução na produção de substâncias tóxicas estão na Convenção de Estocolmo, cujo secretariado se reúne durante esta semana. O Brasil é signatário da convenção, mas ainda não houve ratificação no Congresso Nacional.

Agencia Estado,

14 de julho de 2003 | 17h51

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