Alguns alimentos transgênicos beneficiam o meio ambiente

A produção de certos alimentos geneticamente modificados tem um efeito adverso sobre o meio ambiente, mas o resultado de um pesquisa inglesa muito esperada - e que custou R$ 27,2 milhões ? não é nada definitivo na condenação do método. Ela chegou à conclusão de que o cultivo de vários outros alimentos transgênicos pode ser benéfico para a biodiversidade.Testes de três cultivos biotecnológicos mostraram que a produção de dois ? uma oleaginosa da família da mostarda e a beterraba ? são mais prejudiciais ao ambiente que seus equivalentes convencionais. A produção do terceiro, o milho, porém, mostrou-se mais apropriado à sobrevivência dos outros vegetais e animais que o convencional.Os resultados de três anos de pesquisas serão usados pelo governo britânico para ajudar a decidir se se permitirá a produção de alimentos transgênicos. Não há, atualmente, nenhuma safra geneticamente modificada plantada na Inglaterra, onde pesquisas de opinião pública mostraram uma maioria contrária a esses alimentos.O maior temor dos opositores é que os alimentos transgênicos possam levar a uma emergência, na qual as novas sementes resistentes aos herbicidas causariam uma devastação nas outras espécies.?Os resultados são indiscutivelmente importantes para o debate sobre a possível comercialização de transgênicos?, diz Les Lirbank, o chefe da equipe de pesquisa. ?Mas eles também nos dão critérios que nos ajudarão a conservar a biodivesidade paralelamente a existência de sistemas produtivos de alimentos.?Segundo o trabalho, a polêmica surgiu porque os transgênicos resistentes aos herbicidas deram aos produtores novas opções para o controle de ervas daninhas e pestes. Durante a pesquisa, cientistas plantaram sementes modificadas e tradicionais, lado a lado, e monitoraram o ambiente dos campos. Registraram mais insetos, como as abelhas nas plantações de beterraba, e as borboletas, na de beterraba e mostarda, nos cultivos convencionais, porque havia mais ervas daninhas para alimento e abrigo.Havia também mais sementes de ervas nas plantações convencionais de beterraba e mostarda que nas transgênicas. As sementes são importantes para a alimentação de alguns animais, especialmente alguns pássaros.Entretanto, o milho transgênico mostrou-se mais benéfico para o ambiente. Havia mais ervas, mais sementes e mais borboletas e abelhas na plantação de milho geneticamente modificado e tolerante a herbicida.Para o Greenpeace, no entanto, a pesquisa não responde a muitas das mais vastas preocupações sobre alimentos geneticamente modificados.?Mas mesmo dentro de sua finalidade limitada, ela mostra claramente que os alegados benefícios dos trangênicos não existem?, diz o diretor-executivo do Greenpeace, Stephen Tindale.?Há anos que as empresas produtoras de sementes transgênicas garantem que suas plantações reduzem o uso de defensivos e beneficiam o meio ambiente. Agora que vimos como eles estavam errados, Tony Blair pode fechar a porta para os transgênicos de vez.?Mark Tester, porém, não concorda. Com sua experiência como professor de botânica da Universidade de Cambridge, ele diz que ?colocar os transgênicos num cesto do bom e do mau? seria uma simplificação do assunto.?Esta pesquisa é importante porque abre o debate?, ele diz.Para mais informações na internet, procure o Advisory Committee on Releases into the Environment.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2003 | 15h46

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