Alimento orgânico ganha espaço no mercado

A liberação da safra de soja transgênica, na semana passada, por medida provisória, dividiu os produtores orgânicos. Contrários, por princípio, aos grãos geneticamente modificados, os agricultores orgânicos temem que a certificação de suas culturas pelos órgãos, que estabelecem o padrão de qualidade orgânica seja dificultada diante da possibilidade de contaminação de suas lavouras por sementes transgênicas. Por outro lado, a rejeição a alimentos transgênicos por consumidores mais exigentes e preocupados com responsabilidade sócio-ambiental poderá levar, assim como ocorreu na Europa, a um aumento da procura por orgânicos - produtos de maior valor agregado que costumam dar mais lucros para quem os produz e, sobretudo, os comercializa. Um dos poucos segmentos a registrar crescimento de vendas nos supermercados no último ano, o orgânico movimenta hoje R$ 300 milhões. É ainda muito pouco diante do tamanho do mercado global, de US$ 25 bilhões, e do fato de que a maior parte da produção nacional (área estimada em 500 mil hectares) é voltada para o exterior. No caso dos 3.800 agricultores certificados pelo Instituto Biodinâmico (IBD), uma dos mais importantes certificadoras de orgânicos do País, 80% da produção é exportada. Na Europa, sucessivas crises alimentares resultantes de processos massificados de produção - como "vaca louca", salmonela e contaminação de Coca-Cola, na Bélgica -, além da briga dos ambientalistas contra os transgênicos, levaram ao boom do mercado de orgânicos. Na década de 90, as taxas de crescimento eram de 40% a 50% ao ano. Agora, a taxa está estabilizada em 15%. Diante da alta margem paga inicialmente pelos orgânicos, produtores saíram correndo atrás de conversão e hoje já há superoferta de itens como açúcar, soja e café. Ainda que as taxas de crescimento do mercado doméstico sejam baixas, o orgânico está passando por uma fase de transição importante. "O conceito está sendo submetido à profissionalização: saiu das feirinhas e foi para o supermercado", avalia o diretor comercial da Native, marca de açúcar e alimentos orgânicos industrializados do grupo Balbo, Leontino Balbo Junior. "Estamos entrando na fase de embalagens, industrialização, grandes empresas. O mercado de hotéis, restaurantes e hospitais está virando um sério consumidor." Leia mais

Agencia Estado,

29 de setembro de 2003 | 15h45

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