Altíssima tensão será a marca de Johannesburgo

Apesar dos esforços do governo brasileiro para dar um rumo à reunião de cúpula em Johannesburgo, a sorte conspira contra essa reunião. Não bastasse o recente fracasso do último encontro preparatório em Bali, na Indonésia, e a indefinição da presença de George W. Bush e Tony Blair, dois dos mais importantes mandatários deste mundo pós-11 de setembro, a recepção aos visitantes à África do Sul durante o período da conferência pode render muita dor de cabeça, literalmente. Preocupadas com as manifestações antiglobalização, anticapitalismo e antimilitarismo, as autoridades se preparam para um evento cataclísmico. "Temos aprendido com as experiências de Seattle, Gênova e Davos. Não vamos permitir que o mesmo aconteça aqui", adverte Sean Tshabalala, diretor da polícia sul-africana responsável pela proteção das autoridades. Tshabalala contou que os ativistas interessados em organizar manifestações devem solicitar licenças antecipadamente à polícia. As licenças seriam emitidas para datas e locais definidos, devendo ainda ocorrer segundo um código de conduta. "Manifestações espontâneas simplesmente não são aceitáveis. Qualquer grupo de pessoas juntando-se espontaneamente será detido e encarcerado", disse Tshabalala. "E estamos preparados para qualquer tipo de ataque: aéreo, com morteiros, protestos ilegais e violentos, seqüestros, ataques de lunáticos ou de agentes biológicos como o antraz." Os receios da polícia sul-africana não são totalmente infundados. A data originalmente definida para o encontro foi antecipada, para 26 de agosto a 4 de setembro, justamente porque a data original coincidia com o aniversário dos ataques de 11 de setembro. Estão confirmadas as presenças de uma centena de chefes de Estado e de Governo. Além disso, estão previstos 65 mil visitantes nesse período, dos quais perto de 40 mil são ativistas de grupos ambientalistas, sindicalistas e feministas. Portanto, seria mais eficaz empregar os poucos milhares de policiais sul- africanos na proteção das autoridades, em vez de tentar reprimir ativistas. Tudo isso mostra que, infelizmente, ao contrário do que se imagina, não acumulamos conhecimento. Dez anos depois, uma Rio -20?

Agencia Estado,

23 de junho de 2002 | 09h30

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