Amazônia Central é reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) reconheceu, hoje, um conjunto de unidades de conservação, localizadas no estado do Amazonas, como Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade. O conjunto inclui o Parque Nacional do Jaú, de 2,272 milhões de hectares, que já tinha o status de sítio do patrimônio desde 2000; a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Amanã, de 2,350 milhões de hectares; a Estação Ecológica de Anavilhanas, de 350 mil hectares, no Rio Negro; e parte da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, correspondendo aos 260 mil hectares já implementados. O novo sítio passa a ser conhecido como Complexo de Conservação da Amazônia Central ou, em inglês, Central Amazon Conservation Complex.?Realmente é um acréscimo importante, neste momento grave para a Amazônia, que reafirma internacionalmente a preocupação brasileira para com a preservação da região e abre a possibilidade de obtenção de recursos para promover esta preservação?, disse, por telefone, de Paris, o representante brasileiro na reunião da Unesco, José Pedro de Oliveira Costa. Vale lembrar que a declaração de sítio do patrimônio não implica em nenhum tipo de transferência de terras ou responsabilidades e depende da solicitação de cada país às Nações Unidas, no caso do Brasil, feita pelos Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e Relações Exteriores (MRE). O reconhecimento significa que o sítio é considerado importante para a Humanidade e, por isso, passa a ter acesso a linhas de financiamento especiais, que visam garantir sua preservação.Mais visibilidadeHelder Queiroz, diretor da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, comemora a inclusão da unidade no Sítio do Patrimônio, mesmo que parcial: ?é muito, muito importante este reconhecimento, porque reforça os níveis de proteção a esta área de gigantesca biodiversidade, de valor universal, além de conferir credibilidade ao trabalho desenvolvido nas duas reservas ? Amanã e Mamirauá ? incentivando sua continuidade. É uma conquista do Brasil!?. No total, a reserva de Mamirauá tem 1,124 milhão de hectares e lá vivem cerca de 12 a 15 mil pessoas. Nos 260 mil hectares onde o manejo sustentável já está implantado ? área incluída no novo sítio - vivem 6.500 ribeirinhos. Eles estão aprendendo, com pesquisadores e técnicos, a incluir a variável de sustentabilidade em suas atividades tradicionais - pesca, extração de madeira e agricultura familiar ? além de experimentar novas atividades de baixo impacto ambiental, geradoras de emprego e renda, como o ecoturismo, o extrativismo de sementes oleaginosas e o artesanato.Queiroz conta que a simples inclusão de Mamirauá entre os 5 melhores destinos de ecoturismo, no guia britânico Lonely Planet Guide, no ano passado, provocou um grande afluxo de turistas estrangeiros (59%) e brasileiros, das regiões Sul e Sudeste. Ele espera uma visibilidade ainda maior com a presente declaração da Unesco e acredita que novas áreas da reserva serão incorporadas ao sítio, à medida em que o manejo sustentável se estender além dos 260 mil hectares atuais.Outras propostasEm Paris, a reunião da Unesco para apreciação dos Sítios do Patrimônio da Humanidade teve início nesta segunda feira, dia 30 de junho, com término previsto para a sexta feira, dia 4 de julho. Duas outras propostas brasileiras estão na pauta. A solicitação de se considerar a paisagem do Rio de Janeiro como Sítio do Patrimônio Cultural da Humanidade obteve parecer favorável, mas foram pedidos maiores esclarecimentos e sua aprovação deverá se dar numa próxima reunião. E a intenção de passar o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, de sítio cultural para sítio misto ? cultural e natural ? deverá ser aprovada entre hoje e amanhã. Na Serra da Capivara fica um museu aberto dos homens americanos primitivos, que expõe pinturas rupestres, feitas em rochas e cavernas. O Sítio do Patrimônio Cultura e Natural da Humanidade englobaria os cânions e área de caatinga do próprio parque, o Parque Nacional da Serra das Confusões, e algumas manchas de vegetação preservada adjacentes.

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