Amazônia esmaga quem tenta descrevê-la, disse Euclides

Em meio ao sucesso que ainda lhe rendia a publicação de "Os Sertões", Euclides da Cunha não vacilou em aceitar convite do governo para chefiar uma comissão binacional com a missão de demarcar a fronteira entre o Brasil e o Peru. O grupo foi integrado por 14 brasileiros e 21 peruanos. O escritor estava em dificuldades financeiras.A viagem pelos rios da região foi feita em duas canoas de itaúba, árvore da região. Euclides e os seus subordinados tiveram febre e ficaram com os pés ensangüentados por ter de descer das embarcações para conseguir passar pelas partes mais rasas dos rios.Euclides, ao confirmar a um amigo que escreveria livro retratando a Amazônia, admitiu que a região era um tema inesgotável. "A notícia que aqui chegou num telegrama, de um novo livro, tem fundamento: escrevo, como fumo, por vício. Mas irei dar a impressão de um escritor esmagado pelo assunto", afirmou. "Uma das minhas impressões de sulista está no perceber que o Brasil chega até cá."Em 1906, meses depois da viagem, o autor avaliou que era preciso voltar à Amazônia antes de finalizar e publicar "Um Paraíso Perdido". O projeto acabou não vingando. O escritor morreu em agosto de 1909, na Estação da Piedade, no Rio, numa troca de tiros com um oficial. A tragédia familiar acabaria tendo mais repercussão na imprensa que sua visão sobre a floresta.Serviço: O livro "Um Paraíso Perdido" não segue uma divisão rígida. É formado por artigos, cartas e documentos escritos por Euclides da Cunha e reunidos após a morte do escritor em uma edição das obras completas da Editora Aguilar.O repórter Leonencio Nossa, da Agência Estado, está acompanhando uma expedição de 105 dias da Funai, ao Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, em busca de índios isolados. Veja o especial Em Busca de Povos Desconhecidos

Agencia Estado,

28 de junho de 2002 | 12h52

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