Amcham mostra a evolução da cidadania empresarial

Há 20 atrás, quando a Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham-SP) lançou o Prêmio ECO (Empresa-Comunidade), a maioria dos 38 projetos inscritos tinham um caráter assistencialista e compensatório. Atualmente, não só se multiplicaram os projetos inscritos ? foram 94 na edição 2002, cuja premiação se realiza amanhã -, como mudaram as noções de responsabilidade social, consolidando uma espécie de cidadania empresarial. Os dirigentes dessas empresas passaram a compreender que o desenvolvimento de seus negócios depende do desenvolvimento sustentável da sociedade e da melhoria da qualidade de vida da população. Para entender melhor esta evolução, a Amcham-SP encomendou uma análise dos projetos inscritos no Prêmio ECO, nestes 20 anos, realizada pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). No total, desde 1982, foram 1651 projetos inscritos, de 1363 empresas diferentes, com 111 premiados, que receberam mais de US$2,7 bilhões. A análise qualitativa foi feita com os vencedores. ?Há uma diferença clara no conteúdo dos projetos, dos primeiros 12 a 14 anos para os últimos 8 anos: de um enfoque mais interno e de curto prazo, para resolver problemas próprios evoluiu-se para uma visão mais auto-sustentável e de longo prazo, em benefício da comunidade e não da empresa ou mesmo apenas do entorno da empresa? observa Álvaro de Souza, presidente da Amcham-SP. ?Nos primeiros 8 anos também não houve inscrição de projetos ambientais, que hoje se equiparam à categoria Educação, com o maior número de inscritos?.Durante o período, também mudou a forma como os projetos são conduzidos, evidenciando, por exemplo, que as parcerias com o Terceiro Setor se tornaram a opção mais eficiente para a manutenção de programas sociais e o incentivo ao voluntariado substituiu, com vantagens, o assistencialismo. Isso, nas 5 categorias em que o prêmio se divide: Educação, Cultura, Preservação Ambiental, Participação Comunitária e Saúde.Lógica da cidadaniaOs projetos de Educação, até 1990, eram mais voltados para a qualificação profissional de jovens ou distribuição de material escolar. Nos anos 90, cresce o número de projetos voltados para a escola pública, dirigidos inicialmente a alunos, depois também à formação dos professores e a outras formas de promoção da cultura, como leitura, teatro e música. A capacitação profissional persiste, mas com um caráter mais emancipatório, no lugar do mero adestramento. O incentivo à emancipação também marca os projetos da categoria Participação Comunitária, que no fim da década começam a buscar a sustentabilidade. Os projetos ambientais não cresceram apenas em número, mas também em variedade e abrangência, com projetos voltados para a preservação dos ecossistemas, gestão de recursos hídricos, conscientização, educação ambiental e uso de tecnologias industriais limpas. Na categoria Saúde, as iniciativas pontuais deram lugar a projetos que beneficiam grandes regiões, como o combate às doenças tropicais e parcerias com prefeituras municipais. E, entre os prêmios especiais, destaca-se o trabalho mobilizador de algumas personalidades como Herbert de Souza, o Betinho, premiado em 1994 por sua Campanha Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida.A preocupação com a imagem empresarial também vai se transformando ao longo dos 20 anos, a ponto das empresas dos setores financeiro e químico/petroquímico constituírem 10% das premiadas, cada, seguidas das empresas de comunicação e fabricantes de maquinário, com 8% cada. E o que costumava ser uma política de empresas européias ou norte-americanas, preocupadas com sua relação com a opinião pública, também foi incorporado pelas empresas nacionais, que chegam a 62% do universo de premiadas.Conforme concluem os analistas do Cenpec, nestes 20 anos, ?a ação social começa a ser reconhecida como um dever do cidadão, de toda a sociedade e não só do Estado. Direitos básicos começam a ser entendidos não mais como dádivas, mas como direitos. A lógica da compaixão é substituída pela lógica da cidadania?.ECO 2002A entrega do Prêmio ECO 2002, acontece amanhã, em São Paulo.Os vencedores deste ano são:Companhia Vale do Rio DocePrograma: "Reserva Natural da VRD em Linhares (ES) - Transformando uma Unidade de Conservação em uma Unidade de Negócio Sustentável"Categoria: Conservação/Educação AmbientalBelgo MineiraPrograma: "Trilhas da Cultura"Categoria: CulturaDow QuímicaPrograma: "Manual de Iniciação à Informática para Deficientes Visuais"Categoria: EducaçãoTelemig CelularPrograma: "Pró-Conselho - Programa de Fortalecimento dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e dos Conselhos Tutelares do Estado de Minas Gerais" Categoria: Participação ComunitáriaSociedade Médica Paulista de Administração em SaúdePrograma: "Programa de Controle da Qualidade do Atendimento Médico-Hospitalar?Categoria: SaúdePara comemorar os 20 anos da existência do ECO, a Amcham-SP também atribuirá um prêmio especial, a ser entregue pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a um dos dez projetos selecionados entre os 111 premiados desde 1982. Concorrem ao prêmio especial: Apliquim, Fundação O Boticário, Citibank, Fundação Acesita, Fundação Iochpe, Banco Itaú, Mineração Rio do Norte, Refinaria de Petróleo de Manguinhos, Avon Cosméticos e Interfarma.

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