Ameaçado de extinção, lobo-guará é vítima de atropelamentos no DF

O lobo-guará, que aparece na categoria de espécies vulneráveis na nova Lista das Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, é vítima de atropelamentos no Distrito Federal. Quatro lobos-guarás morrem em média por ano nas proximidades da Estação Ecológica de Águas Emendadas. "Um índice altíssimo", diz o professor da Universidade de Brasília e integrante da Associação Pró-Carnívoros, Flavio Rodrigues, considerando que nesta estação ecológica existam apenas cinco casais de lobos.Segundo o estudioso destes lobos, cada fêmea gera dois filhotes ao ano. "Metade desta produção é atropelada e ainda há mortes por doença." Os animais, óbvio, não reconhecem a cerca como limite da estação e a atravessam em busca de alimentos ou de um local seguro para ter suas crias. Ao lado da reserva, existem a BR-020, que liga Brasília ao Nordeste, e as DF 128 e 345 com acesso para Goiás. "Os motoristas passam a 120 por hora e ignoram placas de advertência para reduzir a velocidade a 60", denuncia o pesquisador, que defende a colocação de barreiras eletrônicas em trechos destas estradas e uma campanha de conscientização.O professor diz que já ouviu relatos de motoristas que atropelaram animais de propósito. Uma das explicações é a de que o lobo-guará come galinhas. "A fama de feroz e comedor de galinhas é apenas mito", diz Rodrigues. Ele garante que a base da alimentação desta espécie são frutos e animais roedores e que eles são mansos e costumam fugir quando avistam uma pessoa.O lobo-guará é uma das prioridades do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação dos Predadores do Ibama e da Pró-Carnívoros. Mas outras espécies também são atropeladas no País, como tamanduá, onça e cachorro-do-mato. Por isso a Pró-Carnívoros lançou uma cartilha de orientações aos motoristas, que passam próximos a reservas ecológicas.Entre elas, a cartilha sugere que se diminua a velocidade perto de rios e se evite trafegar em horários de crepúsculo, porque os animais gostam destes lugares e são mais ativos neste período. Mas a cartilha pede que a pessoa não se aproxime de um animal ferido, porque ele pode ser agressivo. E se estiver morto, não se deve tocar porque pode transmitir doenças.

Agencia Estado,

06 de junho de 2003 | 19h48

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