América Latina e Caribe vão se unir na Rio+10

América Latina e Caribe deverão unir-se para cobrar das nações ricas investimentos contra a pobreza nos países emergentes e a redução de emissão de gás carbônico, durante a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentavél (Rio+10), em agosto. A informação foi dada ontem pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho. Segundo ele, haverá em junho uma reunião entre os latinoamericanos e caribenhos para fechar uma posição regional. Passados dez anos da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), Carvalho avalia que compromissos fundamentais assumidos não foram cumpridos. Um exemplo, segundo ele, é que os países ricos prometeram aplicar 0,7% do Produto Bruto nos países pobres. Segundo ele, a meta deixou de ser cumprida e ainda decresceu, baixando dos 0,4% em 92 para 0,2% atualmente. O secretário-executivo considera inquestionável o foco no combate à pobreza, mas lembra que "não se pode varrer para debaixo do tapete os graves problemas ambientais gerados pelo padrão de consumo e de produção das economias industrializadas". Ele alerta que a floresta amazônica acabará sendo comprometida se não houver um compromisso com a redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa. Carvalho também acusa as nações desenvolvidas de desrespeitarem a proposta de repartir os benefícios com os países detentores de biodiversidade. Ele cita o caso do uso de linalol - extraído da árvore pau-rosa que só existe na Amazônia - que faz parte do princípio químico de fixação do perfume Chanel n.º 5. "Não retorna absolutamente nada", reclama o secretário, observando que o Brasil deve chegar à reunião da Cúpula de Johannesburgo com a autoridade do maior detentor de patrimônio de biodiversidade: um terço das florestas tropicais remanescentes e 14% das reservas de água doce do Planeta estão em território brasileiro. Integração - O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Omar Chohfi, anunciou ontem que será instalada a secretaria permanente da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, em Brasília. O objetivo é integrar os Estados e países amazônicos e elaborar ações estratégicas que favoreçam o desenvolvimento sustentável na área.

Agencia Estado,

01 de março de 2002 | 09h27

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