Americanos acusados de pesquisa ilegal seguem presos no MS

Os brasileiros que tinham sido detidos pagaram fiança e foram liberados; PF diz que grupo não tinha autorização

Elvis Pereira e Rita Cirne, da Central de Notícias,

19 de junho de 2009 | 16h50

Os três pesquisadores americanos presos sob acusação de extraírem ilegalmente amostras do solo do fundo da lagoa Baía Vermelha, no Pantanal, permaneciam presos nesta sexta-feira, 19, à disposição da Justiça. Os dois brasileiros detidos com eles pagaram fiança de R$ 1.550, cada um, e foram liberados na quinta, 18.

 

A Polícia Federal (PF) surpreendeu o grupo na lagoa, situada em área de preservação, no fim da tarde de quarta-feira. Segundo a corporação, nenhum deles possuía permissão de órgãos do governo do Brasil, nem comprovante de intercâmbio ou convênio com entidade de pesquisa. Todos acabaram autuados em flagrante por usurpação de bem da União e pesquisa sem autorização, crimes cujas penas preveem até cinco anos de detenção e aplicação de multa.

 

Doutorandos do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Aguinaldo Silva e Fabrício Aníbal Corradini ficaram presos na delegacia da PF em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, por cerca de 24 horas. A Unesp rebateu a acusação da PF: ambos atuavam com permissão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

 

Os outros acusados são Mark Andrew Tress, de 48 anos, Kellu Michael Wendt, de 26 anos, e Michael Matthew McGlue, de 31 anos. O trio faz doutorado em Geologia na Universidade do Arizona, nos EUA. O delegado da PF Adriano Medeiros do Amaral afirmou que, além de não portarem autorização, eles entraram no País com vistos de turista.

 

"Eles alegaram que vêm ao País uma vez por ano. Esta é a terceira visita. Iriam ficar duas semanas", explicou Amaral. De acordo com o delegado, os três coletavam os materiais por meio de prospecção mineral e os enviavam para os Estados Unidos por meio de uma empresa de frete. Tudo sem fiscalização das autoridades do Brasil.

 

Agora, o trio divide uma cela na delegacia da PF. O delegado comunicou o fato à Embaixada Americana no Brasil. Procurada, a embaixada garantiu que os funcionários do setor consular estão à disposição dos presos para ajudá-los e ressaltou que, por não ter recebido autorização deles, não comentará o caso.

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