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Amorim ataca Lamy por proposta para Amazônia

Em meio à acirrada disputa pela direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disparou nesta quinta-feira duras críticas às declarações do candidato da União Européia, o francês Pascal Lamy, de que a Amazônia deveria ter uma gestão mundial. Também aproveitou o deslize do francês para tentar angariar maior simpatia dos países em desenvolvimento ao candidato brasileiro, o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa. O chanceler considerou como "preconceituosa" a visão de Lamy sobre o tema e destacou que suas afirmações são "incompatíveis" com o posto máximo da OMC.Lamy defendeu quarta-feira, em uma conferência na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, a adoção de "regras de gestão coletiva" para a Amazônia e as demais florestas tropicais e insinuara que essas áreas deveriam ser tratadas como "bens públicos mundiais". Também refletiu se outros temas, como as rotas marítimas e a água, não poderiam receber o mesmo tratamento, em um questionamento da clareza na definição dos "bens públicos mundiais"."As declarações do Sr. Lamy revelam uma visão preconceituosa, que subestima a capacidade dos países em desenvolvimento de gerenciar, de forma soberana e sustentável, os seus recursos naturais", afirmou Amorim, por meio de sua assessoria de imprensa. "Tais declarações são incompatíveis com o cargo de diretor-geral da OMC, ao qual o sr. Lamy aspira", completou ele, no Oriente Médio, logo ao quando tomar conhecimento das declarações do candidato europeu.Ainda na quarta-feira, mesmo com a ausência de Amorim no País, o Itamaraty havia rechaçado prontamente as declarações de Lamy, que foi o comissário da União Européia para o Comércio até o final de outubro passado. O ministério afirmara que a posição do Brasil é "diametralmente oposta" e que o País "repudia com veemência" qualquer afirmação que relativize sua soberania sobre seus recursos naturais.Entretanto, não havia ainda transformado a questão em um petardo contra a candidatura de Lamy nem aproveitado o deslize para gerar uma nova contraposição entre países desenvolvidos (Norte) e países em desenvolvimento (Sul) na atual disputa na OMC. A iniciativa partiu do próprio Amorim.A declaração de Lamy surgiu justamente em um momento em que, com apoio integral de Amorim, o embaixador Seixas Corrêa se esforça para convencer os países que podem vir a apóia-lo que é preciso ter um representante do mundo em desenvolvimento à frente da OMC - e que ele seria a melhor opção. Entretanto, nesse mesmo universo, Seixas Corrêa compete com outros dois nomes: o uruguaio Carlos Perez del Castillo, que já angariou o aval da maior parte dos países latino-americanos, e Jayen Cuttaree, das Ilhas Maurício, que conta com o apoio da maioria dos africanos.

Agencia Estado,

24 de fevereiro de 2005 | 21h10

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