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Análise: Descoberta em Vênus é grande, mas é preciso cautela sobre vida extraterrestre

Muitos outros estudos serão necessários para entender melhor se podemos relacionar a fosfina a organismos vivos no planeta

Diana Paula Andrade, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 16h54

A presença do gás fosfina na atmosfera de Vênus é uma grande descoberta, mas é preciso ter cautela para afirmar que há vida no planeta. Mecanismos que ainda desconhecemos podem explicar o aparecimento da substância.

Há muitos anos, cientistas sugeriram a presença de vida em Titã, lua de Saturno, pela grande quantidade de metano em sua superfície. Descobriu-se mais tarde que o satélite produzia o gás por meios próprios. Assim, muitos outros estudos serão necessários para entender melhor se podemos relacionar a fosfina a organismos vivos em Vênus.

Contudo, as próprias características do astro impõem dificuldades: gases corrosivos, pressão muito alta e temperaturas que podem chegar a 460ºC na superfície. Estudar essa camada inferior é complicado, envolve imagens de radares que usam comprimentos de ondas que passam pela atmosfera e fazer analogias com imagens que vemos da Terra.

Em comparação, sabemos muito mais sobre Marte. Embora haja uma busca por vida presente no planeta vermelho, já foram tantas tentativas frustradas que se pensa mais em vidas que existiram, no estudo sobre possíveis fósseis. Vênus agora é mais uma possibilidade, mas apenas com indícios que também podem ser frustrados.

*Diana Paula Andrade é astroquímica e professora do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro

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