Anéis de Saturno podem ser mais antigos e pesados, diz estudo

Simulação mostra que a aparência brilhante dos anéis pode não ser prova de uma origem recente

da Redação,

23 de setembro de 2008 | 18h31

Os anéis de Saturno podem ser mais massivos do que se pensava anteriormente, e potencialmente muito mais velhos, de acordo com cálculos que simulam a colisão de partículas na órbita do planeta e a erosão por meteoritos. Esses resultados dão apoio à possibilidade de os anéis terem se formado há bilhões de anos, talvez na mesnma época em que grandes impactos escavaram os "mares" da Lua.   A descoberta sugere, ainda, que muitos planetas gigantescos localizados fora do Sistema Solar também poderão ter anéis.   Os resultados foram apresentados pelo pesquisador Larry Esposito, durante o Congresso Europeu de Ciência Planetária, que é realizado nesta semana em Munster, na Alemanha. Esposito é op principal cientista de um dos instrumentos da sonda Cassini, que está estudando Saturno, suas luas e anéis.   "Tanto as observações da Cassini quanto os cálculos teóricos permitem que os anéis de saturno tenham bilhões de anos. Isso significa que os seres humanos não são sortudos por estarem vendo os anéis. E isso pode nos levar a esperar ver anéis massivos também ao redor de planetas gigantes em órbita de outras estrelas", disse Esposito.   Os colegas de Esposito calcularam a atração gravitacional e as colisões entre mais de 100.000 partículas, representando uma amostragem das que compõem os anéis.   Eles seguiram a órbita e a história de cada partícula individual, e calcularam a quantia de luz estelar  que passaria através do anel. Essas estimativas foram comparadas a observações da Cassini sobre a luz estelar bloqueada pelos anéis, que tradicionalmente é usada para estimar a quantidade de matéria no sistema.   Em 1983, Esposito usou o método da luz filtrada para estimar que os anéis contêm tanto material quanto uma das luas de Saturno, Mimas, com cerca de 400 km de diâmetro. As novas simulações mostram que as partículas agregam-se em aglomerados, o que levaria a estimativa anterior a estar errada por um fator de 3 ou mais.   Embora o planeta Saturno tenha 4,5 bilhões de anos, eles são tão brilhantes que cientistas já defenderam a idéia de que os anéis seriam muito mais jovens, com cerca de 100 milhões de anos, pois ainda não teriam tido tempo de escurecer - o que faria com que a espécie humana tivesse a sorte de ter evoluído a tempo de vê-los.   Mas os novos cálculos mostram que, se os anéis têm mais massa, eles manteriam uma aparência "limpa", juvenil, por mais tempo, e poderiam ser proporcionalmente mais velhos.

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