Animais mais espertos, nem sempre são melhores, diz pesquisa

Segundo cientistas, mesmo os insetos merecem 'mais respeitos', pois eles não agem por instinto somente

New York Times

06 de maio de 2008 | 16h16

"Por que seres humanos são tão espertos?". Está é uma pergunta que fascina os cientistas. Tadeusz Kawecki, um biólogo que pesquisa a evolução das espécies, na Universidade de Fribourg, na Suíça, quer estudar mais sobre essa questão. "Se eles são tão espertos", Dr. Kawecki pergunta, "por que muitos animais permanecem apáticos e quietos?" Cientistas que compartilham da mesma opinião e o biólogo estão tentando calcular por que os animais aprendem e por que apenas alguns são considerados melhores e aprendem mais que os outros. A pesquisa apontou que uma possível razão para a diferença é que ser esperto pode ser pior para a saúde dos animais. O aprendizado é um conhecimento muito difundido no reino animal. Até um microscópico verme da uva, Caenorhabditis elegans, pode aprender - mesmo tendo apenas 302 nenurônios. Eles se alimentam de bactérias. Mas se ele comer alguém de sua linhagem, pode ficar doente. Os vermes não nascem com uma aversão própria para ser uma bactéria perigosa. Eles precisam de tempo para aprender a contar aos outros a diferença, para assim, não ficarem doentes.  Muitos insetos também são bons no aprendizado. "Pessoas pensam que insetos são como pequenos bichinhos autômatos e que fazem tudo por instinto", disse Reuven Dukas, biólogo da Universidade de McMaster, nos EUA. Uma pesquisa realizada pelo Dr. Dukas, em conjunto com outros cientistas, apontou que insetos merecem mais respeito. Dr. Dukas chegou à conclusão que larvas de um dos animais favoritos dos laboratórios, Drosophila melanogaster, podem aprender a associar certos odores de comidas e predadores.  Em outro experimento, o biólogo descobriu que jovens machos voadores gastam muito tempo tentando atrair fêmeas nada receptíveis. Eles demoram para aprender os encantos do vôo e com isso, conquistarem parceiras. Dr. Dukas defende a hipótese de que qualquer animal com sistema nervoso pode aprender. Em alguns casos, o cientista revela que seus colegas falharam ao documentarem o aprendizado em algumas espécies. Ele pensa que não se deveria excluir tão rapidamente a hipótese de existem animais mais inteligentes. Esses cientistas pensam que algumas espécies não podem aprender.  Embora o aprendizado seja disseminado entre muitos animais, Dr. Dukas afirma que "não se pode dizer que o saber entre os animais seja uma mera questão de adaptação ao meio ambiente em que vivem".  A adaptação é possível mesmo com uma mudança de meio, sem que para isso seja usado o sistema nervoso dos animais, ligado ao aprendizado. Uma bactéria pode ter cuidados mutantes, desde que, isso ajude na sua sobrevivência. Se um micróbio percebe uma substância tóxica, por exemplo, ele pode nadar para longe. Se reconhece que necessita de comida, ele pode alterar os genes de seu metabolismo. A aprendizagem no entanto, pode ser perigosa e causar efeitos colaterais que fazem a evolução ser mais enigmática. Dr. Kawecki e seus colegas descobriram uma série de evidências sobre essas reações contrárias, ao estudarem em laboratório o comportamento de insetos voadores com melhores resultados de aprendizado. OS MÉTODOS DA PESQUISAPara produzirem voadores espertos, os pesquisadores colocaram insetos para escolherem entre uma laranja e uma geléia de abacaxi para comer. Ambos parecem deliciosos para insetos. Mas, percebeu-se que os insetos que pousaram sobre a laranja demonstraram ter propriedades em seu bico, que reconheciam as substâncias presentes na fruta.  Para testar os insetos, os cientistas tiveram que apresentar a algumas espécies dois potes de geléia: um de laranja e outro, de abacaxi. Nesse momento, nenhum dos dois demonstrou ter em seu bico, a substância que reconhecia as frutas. Os voadores que pousaram sobre os dois potes, se alimentaram, e as fêmeas, depositaram seus ovos. "Os insetos que se lembraram do gosto, foram os que tiveram uma experiência ruim com a laranja e, por isso, foram em direção ao pote com geléia de abacaxi", disse Dr. Kawecki. O grupo do cientista coletou os ovos depositados sobre a geléia de abacaxi e pôde constatar que o reconhecimento do gosto foram produzidos para uma próxima geração de insetos. Os biólogos repetiram o processo de produção com novos insetos, com exceção àqueles de uma geração que já tinha detectado a geléia de abacaxi em seu bico. Levou apenas 15 gerações, testas sob essas condições, para se descobrir que os insetos foram geneticamente programados para aprender a reconhecer as propriedades nas frutas. No começo do experimento, os insetos levaram várias horas para reconhecerem a diferença entre ter, e não ter, as propriedades presentes nas frutas. Já com os que tinham uma descendência que anteriormente reconheceu a substância, levaram menos de uma hora para detectar a substância. Quando pássaros deixam o ninho, eles precisam de tempo para aprenderem a achar comida e fugir de predadores. Como conseqüência, eles estão propensos a morrer de fome ou serem mortos. Dr. Dukas argumenta que o aprendizado envolve níveis elevados de conhecimento somente quando esse é o melhor método para responder ao meio ambiente suas responsabilidades automáticas. "É bom quando você quer se basear em uma informação que é única em relação a um tempo e um espaço", disse Dr. Dukas. Algumas espécies de abelhas, por exemplo, se alimentam de uma única espécie de flor. Outras abelhas se adaptam a diferentes flores, cada uma com suas diferenças", disse Dr. Dukas. Cientistas levaram a diante poucos estudos para testar essa idéia. Uma pesquisa, publicada na Universidade de Londres, mostrou que o rápido aprendizado de colônias de zangões coletou 40% mais néctar em relação à colônias mais lentas.  Os benefícios para o aprendizado podem ser enormes para a evolução. Para muitos animais, aprender oferece principalmente benefícios para achar comida ou um parceiro. Mas humanos também vivem em uma sociedade em que aprender traz benefícios. "Se você usa sua inteligência para passar a perna em seu grupo, então está provocando uma corrida armamentista", disse Dr. Kaweci. "Daí, não há um grau absoluto de otimização do aprendizado. Você só precisa ser mais inteligente que os outros", completou. 

Tudo o que sabemos sobre:
animaisaprendizado

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.