Animais selvagens regressam a Angola com fim dos combate

Manadas de elefantes, búfalos e de outros animais estão regressando espontaneamente, com o fim da guerra, ao seu "habitat", na povoação do Mucusso, província do Cuando Cubango, sul de Angola. A paz firmada há um ano em Angola está favorecendo o regresso dos animais, que durante o conflito armado procuraram refúgio nas vizinhas repúblicas daNamíbia, Zâmbia e Botsuana.Soki Kuediquenda, responsável por este área no Ministério do Urbanismo e Ambiente de Angola, disse à Lusa que elefantes e bois-cavalos são os mais vistos nas zonas de caça do Luiana e Mucusso, ambas na fronteira com a Namíbia."As mais de três décadas de guerra que Angola enfrentou afetaram a estabilidade do ecossistema, o que provocou a fuga dos animais para outros países", frisou o responsável, acrescentando que neste momento está sendo feito um trabalho de campo para a identificação das espécies existentes na área.Nas coutadas do Luiana e Mucusso podem ser vistas, para além dos elefantes, outras espécies de mamíferos como rinocerontes, zebras, leões, cães-selvagens, orixes, leopardos, hienas, chitas, cabras de leque e veados.O regresso dos animais ao seu "habitat" está provocando transtornos à população dessa região, que vêm as suas lavouras ameaçadas, já que destróem as culturas para se alimentarem.Para evitar que abatam esses animais foi criada uma comissão conjunta entre o governo provincial do Cuando Cubango e do norte do Botsuana, que fará o acompanhamento do regresso dessas espécies.O governador provincial do Cuando Cubango, João Baptista Tchindande, fez um apelo à população no sentido de não abaterem os animais e explicou que o regresso deles serve de estímulo à actividade eco-turística.O Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD), que integra também a comissão criada para a proteção dos animais, é responsável pela desminagem da região, dentro da parceria com o governo angolano em projetos ligados aoambiente.Angola possui seis parques nacionais e quatro reservas especiais, todos severamente prejudicados pela guerra, pela caça furtiva e pelo derrube de árvores.A falta de meios humanos e materiais para a proteção dessas zonas é um dos problemas que o Ministério do Urbanismo e Ambiente enfrenta.

Agencia Estado,

06 de maio de 2003 | 11h50

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